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Brasil - Itália
São Paulo - 29/06/2010


Berlusconi diz que quer fazer parte do "milagre" brasileiro

Na Fiesp, presidente Lula ressaltou importância de acordo com italianos para negociações em órgãos internacionais


Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália
Em encontro com mais de mil empresários brasileiros e italianos, nesta terça-feira (29), na Fiesp, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável pelo Brasil ter consolidado seu sonho de crescimento interno e projeção internacional.

O fato de Lula ter emergido da classe trabalhadora, prosseguiu o premiê, foi o diferencial para que o presidente brasileiro olhasse conjuntamente para as questões econômicas atreladas ao desenvolvimento social.

"Graças a Lula e ao povo brasileiro, o sonho do país do futuro hoje faz parte do presente", ressaltou o primeiro-ministro. "E nós italianos queremos consolidar parcerias com vocês para também fazermos parte deste 'milagre' brasileiro", completou.

Berlusconi ainda destacou o passo importante que o encontro na Fiesp deu ao acordo assinado entre os países, durante reunião bilateral, em Washington, no início de abril. Segundo o ele, o Ministério da Defesa de seu país já deu sinal verde para importantes acordos com o Brasil, que serão trabalhados no curto prazo.

"Esse é só o começo de uma grande parceria, pois se a Europa sentiu mais fortemente a crise, o povo italiano soube poupar e, por isso, temos condições de investimentos produtivos no Brasil."


Benjamin Steinbruch, presidente em exercício da Fiesp
Exemplo a ser seguido


O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, argumentou na mesma linha que Berlusconi, dizendo que a experiência brasileira deve ser estudada e analisada e, se possível, aplicada. "Pela primeira vez na nossa história, o mercado interno foi suficiente para o crescimento econômico do País e a exportação serviu apenas como complemento a ele".

Para Steinbruch, o modelo brasileiro deve ser usado tanto pelos países ricos quanto pelos emergentes e menos desenvolvidos, em vista das 30 milhões de pessoas que entraram no nível de consumo. "Se não tivéssemos a sensibilidade política do presidente Lula naquela época [da crise internacional], com certeza teríamos andado para trás", argumentou.

O presidente do Brasil atestou as vantagens das possíveis trocas comerciais com a Itália, sublinhando, inclusive, a importância diplomática da parceria para suas atuações nos órgãos internacionais, como o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE).

Devido à repercussão econômica da crise financeira nos países europeus, atualmente a UE cedeu em inúmeros pontos da negociação com o bloco do Cone Sul, aproximando os dois grupos de uma parceria de fato.

O governo já sinalizou que espera ainda neste ano concluir as negociações, embora fontes do Itamaraty digam que dificilmente o acordo será fechado em 2010. Para este ano, a chancelaria brasileira ressalta que apensas serão encaminhadas as bases para as futuras conversas, que serão consolidadas somente em 2011.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Equidade nas relações


Durante a coletiva de imprensa, ao final do encontro, o presidente Lula, que já havia abandonado o púlpito, retornou para dar seu último recado, apelando à necessidade de equilíbrio entre as nações no cenário das trocas internacionais.

"Não participarei mais das reuniões da OMC [Organização Mundial do Comércio] e nem da Rodada Doha como presidente do Brasil, mas gostaria de deixar claro minha indignação com a postura de Washington em adicionar outro US$1,5 bilhão em seus subsídios agrícolas", protestou.

Lula criticou a medida norte-americana, ao ressaltar que este é um "sinal muito negativo" para um país que sempre defendeu o livre comércio mundial. Continuou dizendo que, ao abrir um painel no Sistema de Solução de Controvérsias da OMC, contra os EUA, na questão do algodão, não falava simplesmente pelo Brasil, mas por todos os países pobres prejudicados pela potência mundial, sobretudo os africanos.

"Fico pensando num país africano, como Mali, cuja principal fonte de exportação são 400 milhões de toneladas de algodão. É desleal. Para sanarmos catástrofes como a crise mundial, e nos imunizarmos delas, imprescindimos de acordos internacionais com maior equidade", concluiu.

Fábio Rocha e Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp

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