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Governança
São Paulo - 21/06/2010


"Governo federal pauta ações somente para o curto prazo", diz especialista

Alerta foi feito pelo presidente do Grupo Gerdau ao participar de reunião do Consea


Jorge Gerdau, membro do Conselho de Administração da Gerdau

Há um processo maior de gestão que é o da governança, e o governo federal deixa a desejar neste quesito. Enquanto o setor privado planeja seus próximos dez anos, em um processo considerado normal, o governo traça cenários apenas para o curto prazo. É preciso acabar com improvisações e ter metas e objetivos para, no mínimo, dez anos à frente.

A observação foi feita nesta segunda-feira (21), na Fiesp, por Jorge Gerdau, membro do Conselho de Administração da Gerdau, maior produtora de aços longos do País.

O empresário participou da reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da entidade, que teve como tema “Gestão e Governança do Brasil numa visão de longo prazo”, integrando a série de debates Repensando o Brasil.

Segundo Gerdau, para garantir crescimento sustentável é preciso não só ter visão de longo prazo, o que não faz parte das políticas públicas brasileiras, mas também reduzir entraves à competitividade da nossa indústria.

“Precisamos de um ciclo virtuoso que passa pelo crescimento econômico, pela geração de empregos e pelo aumento da poupança e dos investimentos”, sinalizou.

Ele deu um exemplo prático. Comparou o alto índice da poupança chinesa (cerca de 52%) e seus investimentos de alto impacto, em relação aos dados brasileiros (17% de poupança interna frente ao Produto Interno Bruto, 2008). E considerou tímida a meta de 21% de poupança interna para o próximo ano, anunciada pelo governo.

Na avaliação do empresário, os investimentos públicos – em torno de 1,2% do PIB no acumulado de 12 meses (até abril de 2010) – são tímidos porque deveriam ser de 10%, no mínimo.

Entre os fatores que atrapalham a competitividade brasileira, Gerdau listou:

  • Falta de reforma tributária;

  • Custo do capital – o País está entre os países com mais altas taxas de juros, gerando impacto na cadeia produtiva;

  • Logística e ineficiência que onera exportações;

  • Legislação ambiental e a demora na obtenção da licença;

  • Burocracia;

  • Questões trabalhistas que necessitam de maior flexibilização e negociação;

  • Educação, hoje ancorada como a sexta prioridade para os brasileiros.

    Ainda na opinião de Gerdau, a equação resultante é mais do que complexa: menor prosperidade de pessoas capacitadas em momentos de maior prosperidade econômica. Resta buscar as soluções.

    Jorge Gerdau também é membro do Movimento Ação Empresarial e presidente-fundador do Brasil Competitivo, além de presidir o conselho de governança do Movimento Todos pela Educação.

    Para visualizar a palestra de Jorge Gerdau (em PDF), clique aqui.


  • Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp