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Comércio bilateral
São Paulo - 16/06/2010


Turquia foca sua política externa nos países em desenvolvimento

O governo turco dinamizou sua estratégia de comércio exterior e mira sua política externa na África e América Latina, especialmente no Brasil

Com dificuldade em viabilizar novos negócios com seus parceiros da União Europeia, a Turquia começa a focar sua política externa nos países em desenvolvimento e promissores, como os da África e da América Latina.

Durante esta semana, mais de 2,5 mil pessoas de 140 países estarão em Istambul, Turquia, na segunda edição da Ponte de Negócios da Turquia com o Mundo. Neste ano, o governo turco chamou os países para "trabalharem juntos no combate à pobreza".

A Tuskon, organização turca privada responsável pelo encontro, estima que neste ano o volume de negócios possa bater cifras superiores a US$ 7 bilhões.

De acordo com o Conselho dos Exportadores da Turquia (TIM, em turco), a balança comercial da Turquia pode chegar a US$ 500 bilhões até 2023. Nesse sentido, a TIM conta com o suporte do governo para continuar os esforços na criação de acordos que flexibilizem o comércio exterior.

"Quanto mais houver integração entre os países com vistas ao mercado global, mais rápidas e competitivas se tornarão suas economias", disse o presidente da TIM, Mehmet Büyükeksi, nesta segunda-feira (14), durante a abertura dos encontros de negócios.

O ministro de Comércio Exterior da Turquia, Zafer Çaglayan, aproveitou a ocasião para se queixar das imposições que seus parceiros europeus impõe aos investidores turcos.

"No momento em que estamos tentando eliminar os obstáculos para fomentar nosso comércio, a União Europeia ainda impõe regras desnecessárias para os empresários da Turquia [...] Continuaremos a expandir nossa economia com novos mercados pioneiros e fronteiriços”, explicou Çaglayan.

Reformas políticas e econômicas

O ministro ainda ressaltou que o sucesso da Turquia é consequência das reformas econômicas e da política externa adotada por seu país. Ele comemora o fato de a Turquia ser um dos poucos países menos afetados pela crise europeia.

Dados do governo turco mostram que a Turquia detém o 15º lugar no ranking das principais economias do mundo. No ano passado, quando os países ainda amargavam os efeitos negativos da crise internacional, a Turquia recebeu mais de US$ 7 bilhões em investimentos.

Transformou-se na sexta maior economia da União Europeia, com um comércio exterior de US$ 250 bilhões, em 2009. E foi o único país do mundo a receber por quatro vezes consecutivas o grau de investimento, desde setembro de 2008 – epicentro da crise econômica mundial.

Parcerias

A nigeriana Elisabeth Tankai, representante dos países africanos, arrancou aplausos da plateia de cinco mil pessoas, durante seu pronunciamento. Segundo ela, este encontro é um sinal claro de que a Turquia está de "braços abertos" à África e empenhada em gerar empregos nos países e africanos e contribuir para a diminuição da pobreza.

Já o presidente da União das Indústrias e Empresas da Rússia (RSII, na sigla em russo), Alexander Shokhin, foi bem mais direto e se disse otimista em aumentar seu volume de comércio com a Turquia para US$ 100 bilhões.

Atualmente, a Rússia é um dos principais parceiros dos turcos. No ano passado, por exemplo, a Turquia vendeu para os russos mais de US$ 25 bilhões. "Sabemos que é difícil alcançar esta meta em pouco tempo, mas não é impossível. Não pouparemos esforços", declarou Shokhin.

Turquia e Brasil

Na primeira edição da Ponte de Negócios da Turquia com o Mundo, estima-se que o volume negociado tenha chegado a US$ 300 milhões. Para se ter uma ideia, desde 2006, quando foi firmado o Conselho Empresarial Brasil-Turquia, a corrente de comércio entre os dois países cresceu consideravelmente.

As importações brasileiras de produtos turcos aumentaram 275% e as exportações, até 2008, antes da crise, passaram de US$ 590 milhões para US$ 816 milhões. Devido a crise econômica, esta cifra caiu, e fechou 2009 com US$ 610 milhões em exportações para a Turquia.

Para o vice-presidente da Fiesp e coordenador do Conselho Empresarial Brasil-Turquia, Elias Miguel Haddad, o comércio entre os dois países, apesar de promissor, ainda está bem aquém de suas potencialidades.

“Devemos este crescimento, também, aos esforços do setor privado dos dois países. Em três anos, praticamente dobramos o fluxo comercial entre Brasil e Turquia”, disse. E ressaltou: “Concordo e apoio o Çaglayan (ministro turco de comércio), que nos próximos três anos podemos aumentar em cinco vezes nosso fluxo comercial”.

Fábio Rocha, de Istambul, Turquia, para Agência Indusnet Fiesp

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