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Brasil precisa de poupança doméstica para crescimento sustentável
Sugestão foi feita pelo especialista norte-americano Albert Fishlow, durante reunião do Consea da Fiesp
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Albert Fishlow, economista
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Para manter o atual ritmo de crescimento, a política econômica brasileira precisa de alguns ajustes. Esta é a visão do diretor do Instituto de Columbia de Estudos Latino-Americanos e diretor do Centro para Estudo do Brasil, Albert Fishlow, que ministrou palestra na quarta-feira (9), aos membros do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.
O Brasil, com uma taxa estável de crescimento de 5% ao ano até 2020, precisará investir de 6 a 7 pontos do PIB numa poupança doméstica para não depender de investimentos externos, afirmou.
Apesar de o Brasil participar de fóruns econômicos mundiais como o G-20, Fishlow acha arriscado criar dependência excessiva de recursos estrangeiros. Os países têm prioridades internas e, num momento de crise, priorizam sua própria economia, alertou.
A exemplo do que fizeram países como Chile, Índia e China, o setor público brasileiro precisa ser fonte de poupança em vez de fonte de gasto, explicou. Se o Brasil não limitar o gasto público terá problemas semelhantes aos que tiveram Coréia do Sul, Tailândia, Indonésia, entre outros, acrescentou.
O especialista também chamou atenção para os gastos previdenciários do Brasil, que são os maiores do mundo. E revelou: A previsão é que, em 2025, a Previdência Social terá menos contribuintes e mais usuários.
Exportação
O comércio exterior já teve períodos melhores. De acordo com Albert Fishlow, o Brasil chegou a exportar entre 5 e 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, participa com uma porcentagem muito baixa, de apenas de 1,2% do comércio internacional.
Ainda assim, o especialista destacou o desenvolvimento dos setores de manufatura, agrícola e, num futuro próximo, o petróleo que será extraído da camada pré-sal. E para aumentar a produtividade é necessário concorrer com outros mercados, argumentou.
Neste sentido, Fishlow destacou a participação da China em sua opinião, o maior concorrente comercial do Brasil na próxima década , com 40% do PIB no comércio internacional.
É preciso que o setor público também subsidie maiores investimentos em tecnologia, educação e qualificação profissional, complementou. Ele criticou a alta carga tributária e afirmou que o Brasil está no ponto limite de aumento de impostos.
A taxa de câmbio também se apresenta como entrave ao desenvolvimento. A melhor maneira de resolver esta questão é fazer uma taxa de poupança e se o país baixar a taxa de juros evitará a entrada de dinheiro externo interessado apenas em lucrar com os juros, afirmou.
Ousadia
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Benjamin Steinbruch, presidente em exercício da Fiesp
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O presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, defendeu que "é preciso dar prioridade ao crescimento, mas respeitar variáveis", como a necessidade de criação de uma poupança doméstica proposta por Fishlow.
O Brasil não pode abrir mão do crescimento, até porque tem um mercado interno muito forte, com uma massa de novos consumidores das classes D e E, acrescentou.
O dirigente empresarial destacou ainda a "sorte" de o Brasil dispor de produtos de primeira necessidade da China, como grãos, minério e petróleo. "Se não for desta vez que ousarmos no crescimento, dificilmente teremos a mesma oportunidade futuramente", completou.
"Temos que nos cobrar, mas o governo precisa fazer sua parte, como gastar melhor. O Brasil não tem carência de arrecadação e pode produzir mais. Falta olhar para o futuro", opinou.
Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp
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