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São Paulo - 07/06/2010


Fiesp recebe missão empresarial chinesa em outubro

Em reunião na Câmara de Comércio e Indústria de Xangai, diretores anunciaram que evento vai discutir parcerias entre China e Brasil na África


Da esq. p/a dir.: Ricardo Martins, Roberto Giannetti, Tian Zhong Fa e Luo He King

Diretores da Fiesp participaram de reuniões, na sexta-feira (4/6), na Federação da Indústria e do Comércio de Xangai e na Comissão de Comércio Municipal de Xangai. As duas instituições são as de maior representatividade para o setor produtivo de Xangai, região conhecida como o centro financeiro da China e uma das mais modernas da Ásia.

Durante as reuniões, ficou estabelecido que a Fiesp sediará evento entre empresários chineses e brasileiros no último trimestre deste ano, para realização de seminário e encontro de negócios. A data deve ser confirmada nas próximas semanas, mas a previsão é de que o evento ocorra em outubro e conte com a participação de cerca de 100 empresas ligadas às instituições de Xangai.

Várias propostas foram levantadas pelos dois países para a construção de uma agenda positiva mas, também, para eliminação de obstáculos. No primeiro encontro, os diretores foram recebidos por Tian Zhong Fa, diretor da Comissão Municipal de Comércio e por Luo He King, diretor da Câmara de Desenvolvimento de Investimento Estrangeiro, ambas da região xangaiense.

Para Zhong Fa, o primeiro voo direto de Xangai para a América Latina, deveria sair do Brasil, pela representatividade da relação comercial bilateral que já está consolidada. “Nós também queremos um comércio justo e queremos mais oportunidades de visitas recíprocas, para que possamos apresentar propostas para brasileiros investirem aqui e vice-versa”, disse o diretor chinês.

Os diretores da Fiesp, Roberto Giannetti e Ricardo Martins, ressaltaram a satisfação de ter a China como principal parceiro comercial do Brasil e o amadurecimento das relações entre as duas nações. “Nos últimos 20 anos, o comércio bilateral cresceu de forma extraordinária, com a geração de empregos e troca de produtos que os dois países precisam”, disse Giannetti.

No ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos como nosso maior parceiro, consolidando um quadro que mostra, na última década, um alto crescimento das exportações brasileiras para a China, da ordem de 1.700%.

“Precisamos não só aumentar o comércio com a China mas melhorar a qualidade dele”, afirmou Giannetti. O diretor destacou o Brasil como parceiro ideal para aumentar a segurança alimentar da China, por exemplo. Enquanto a China vê um processo com população cada vez mais urbana e com renda maior, nosso país tem recursos naturais como água e terra em abundância e capacidade empreendedora para aumentar a produção de alimentos.

Segundo ele, a Fiesp está disposta a receber projetos que possam ser complementares para a produção de alimentos, bem como em outras áreas.

Gigante nas exportações

Nas últimas décadas, a China tem apresentado forte crescimento e, elevando-a à posição de segunda maior economia do mundo, com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,9 trilhões registrado no ano passado. O modelo de inserção internacional da China, baseado em forte investimento e atração de capital estrangeiro para o setor manufatureiro direcionado às exportações, fez também do país asiático o maior exportador mundial em 2009, com US$ 1,20 trilhão.

Juntos na África


Roberto Giannetti (esq.) recebe de Jin Liang uma réplica em miniatura do Pavilhão da China na Expo Xangai
Em encontro seguinte, a equipe da Fiesp reuniu-se na Federação da Indústria e do Comércio de Xangai e propôs a cooperação entre Brasil e China na produção e comércio em outros mercados, como na África.

Jin Liang, vice-presidente da Federação, também conhecida como Câmara de Comércio de Xangai, deu apoio à ideia e ficou acertado como primeiro passo a realização de um seminário específico sobre o tema: “Brasil-China na África”, durante a missão chinesa que vem à Fiesp em outubro. “Em vez de concorrer com os chineses deveríamos trabalhar juntos por projetos no continente africano”.

O vice-presidente disse ainda que, desde já, vai estimular os empreendedores chineses a procurar brasileiros para que conheçam bem mercados africanos como Angola e Moçambique para troca de experiências.

Jin Liang também propôs a organização de uma exposição de produtos brasileiros na China e lembrou o café, mel e própolis de abelha como produtos brasileiros consolidados no mercado chinês como sinônimo de alta qualidade. O embaixador brasileiro em Xangai, Marcos Caramuru, também participou de parte do encontro.

Giannetti informou às autoridades sobre os resultados satisfatórios das rodadas de negócios da missão de empresários levada pela Fiesp que teve boas perspectivas de negócios. Ao todo, os cerca de 50 empresários da delegação brasileira participaram de duas rodadas, sendo a primeira no Seminário do MRE.

Já a segunda, foi no Pavilhão do Brasil na Expo Xangai de 2010 e contou com a participação de mais de 100 empresas chinesas interessadas em comércio com setores brasileiros como de metalurgia e alimentos.



Mariane Corazza, de Xangai, China, para Agência Indusnet Fiesp

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