[ editar ]
 
 
 
   
INFORMAÇÕES DA INDÚSTRIA  
NEWSLETTER  
REVISTA DA INDÚSTRIA
CAPITAL HUMANO
MACRO VISÃO
INFORMATIVO REGIONAL
 
   
 
Estratégia
São Paulo - 10/05/2010


Economista propõe "novo desenvolvimentismo" para regular câmbio

Luiz Carlos Bresser, da FGV, diz que exportação baseada em produtos primários leva à desindustrialização do Brasil


Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas
Durante a reunião do Conselho de Estudos Econômicos (Cosec), nesta segunda-feira (10), o economista e professor da FGV, Luiz Carlos Bresser-Pereira, defendeu uma nova estratégia para controlar as políticas cambiais e alavancar o crescimento econômico.

Chamado de "Novo Desenvolvimentismo", o plano do economista visa criar impostos sobre insumos que dominam as exportações brasileiras, para evitar a chamada "doença holandesa".
 
"Se taxássemos os produtos principais ao tempo que regulamos o câmbio, os produtores não teriam prejuízo. Quem perderia no começo seriam todos os brasileiros, mas já ao médio prazo haveria acréscimo na soma das riquezas produzidas", afirmou o economista.

Aliado ao tripé responsabilidade cambial, fiscal e papel moderador do Estado, Bresser também propôs a criação de fundos soberanos com os recursos obtidos pelas taxas. Além disso, defendeu a utilização da poupança interna para auxiliar o crescimento e manter reservas cambiais elevadas para administrar os picos de crise.

"O Brasil tem condições de crescer muito mais do que agora. Temos técnicos, empresários e trabalhadores de bom nível; tecnologia no campo e na indústria; e um Estado bem mais efetivo em garantir o bom funcionamento do mercado do que geralmente se supõe", apontou.


Antonio Delfim Netto,
presidente do Cosec da Fiesp

Nesse contexto, o presidente do Cosec, Antonio Delfim Netto, chamou atenção para política de câmbio do mundo contemporâneo. "A taxa de câmbio não é mais aquilo que prevíamos. Não é mais um consenso. Hoje, ela é simplesmente um ativo financeiro", observou.

Para ele, a excessiva entrada de capitais no Brasil, a política de crescimento com poupança externa e o populismo cambial, baseados em taxa de câmbio apreciada, são outros fatores responsáveis pela tendência que dificulta ou inviabiliza a industrialização e o crescimento do País. 

"Ha milhares de operadores. Cada um deles com seu portfólio operações de um milésimo de segundo. A ilusão do Brasil é que essa taxa de câmbio tem alguma coisa a ver com a economia. Não tem. Um dado interessante é ter uma taxa de câmbio totalmente desvinculada", concluiu o presidente do Cosec.

Everton Amaro, Agência Indusnet Fiesp