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Economista propõe "novo desenvolvimentismo" para regular câmbio
Luiz Carlos Bresser, da FGV, diz que exportação baseada em produtos primários leva à desindustrialização do Brasil

Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas |
Durante a reunião do Conselho de Estudos Econômicos (Cosec), nesta segunda-feira (10), o economista e professor da FGV, Luiz Carlos Bresser-Pereira, defendeu uma nova estratégia para controlar as políticas cambiais e alavancar o crescimento econômico.
Chamado de "Novo Desenvolvimentismo", o plano do economista visa criar impostos sobre insumos que dominam as exportações brasileiras, para evitar a chamada "doença holandesa".
"Se taxássemos os produtos principais ao tempo que regulamos o câmbio, os produtores não teriam prejuízo. Quem perderia no começo seriam todos os brasileiros, mas já ao médio prazo haveria acréscimo na soma das riquezas produzidas", afirmou o economista.
Aliado ao tripé responsabilidade cambial, fiscal e papel moderador do Estado, Bresser também propôs a criação de fundos soberanos com os recursos obtidos pelas taxas. Além disso, defendeu a utilização da poupança interna para auxiliar o crescimento e manter reservas cambiais elevadas para administrar os picos de crise.
"O Brasil tem condições de crescer muito mais do que agora. Temos técnicos, empresários e trabalhadores de bom nível; tecnologia no campo e na indústria; e um Estado bem mais efetivo em garantir o bom funcionamento do mercado do que geralmente se supõe", apontou.
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Antonio Delfim Netto,
presidente do Cosec da Fiesp
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Nesse contexto, o presidente do Cosec, Antonio Delfim Netto, chamou atenção para política de câmbio do mundo contemporâneo. "A taxa de câmbio não é mais aquilo que prevíamos. Não é mais um consenso. Hoje, ela é simplesmente um ativo financeiro", observou.
Para ele, a excessiva entrada de capitais no Brasil, a política de crescimento com poupança externa e o populismo cambial, baseados em taxa de câmbio apreciada, são outros fatores responsáveis pela tendência que dificulta ou inviabiliza a industrialização e o crescimento do País.
"Ha milhares de operadores. Cada um deles com seu portfólio operações de um milésimo de segundo. A ilusão do Brasil é que essa taxa de câmbio tem alguma coisa a ver com a economia. Não tem. Um dado interessante é ter uma taxa de câmbio totalmente desvinculada", concluiu o presidente do Cosec.
Everton Amaro, Agência Indusnet Fiesp
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