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São Paulo - 07/05/2010


América do Sul deve ocupar lugar específico na nova geopolítica

Ideia foi defendida pelo assessor especial da Presidência da República, durante seminário sobre perspectivas regionais de segurança internacional


Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais

No primeiro painel do seminário Segurança Internacional: Perspectivas Regionais, realizado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Defesa e pela Fiesp, o debate concentrou-se no papel da América do Sul na nova geopolítica.

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que a política externa e a política de desenvolvimento passaram a ter lugar de destaque nas discussões, nos últimos anos. "Temos que discutir qual o lugar que o Brasil ocupará neste mundo", comentou.

Ele lembrou que, ao final da Segunda Guerra Mundial (1945), na Europa, os recursos naturais e energéticos passaram a ter tratamento distinto, inclusive com a criação da Comunidade do Carvão e do Aço, que pôs fim à disputa entre os países.

"A América do Sul pode ocupar um lugar específico e mais importante, para que possamos constituir um polo que vá além da fronteira física", ponderou. A região tem grande potencial de produção de alimentos e de recursos naturais, com cerca de 30% da água potável de todo o planeta, segundo informações de Garcia.

De acordo com o assessor da Presidência da República, os países da região fizeram a "clara" opção de buscar consenso e de minimizar conflitos, de acordo com o modelo desenvolvido na Comunidade Europeia. "Temos que valorizar os recursos naturais, a produção de alimentos e, sobretudo o potencial energético".

Corrida armamentista

"O Brasil não entrou em carreira armamentista", afirmou o assessor especial da Presidência da República. Apesar de reconhecer os conflitos pontuais, ele defende a América do Sul como "uma região de paz" e onde o sistema democrático está consolidado.

Conforme explicado por Garcia, a iniciativa do Brasil em produzir sua Estratégia Nacional de Defesa (END) e de reequipar suas Forças Armadas tem estimulado outros países da região.

Atualmente, na América do Sul, a Venezuela é o país com maior investimento em equipamentos de Defesa, seguido ligeiramente por Colômbia, Chile e Brasil.

O professor universitário argentino, Fabian Calle, do Instituto de Segurança e Conselho Argentino para as Relações Internacionais (CARI), concorda que não há corrida armamentista, mesmo com o aumento de 150% em despesas militares nos últimos cinco anos.

"Temos graus de violência dentro dos Estados, e o que anteriormente se chamava  de zona de não guerra hoje é chamada de zona de paz", argumentou Calle.

Avanço

A professora e pesquisadora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, Mônica Herz, avaliou que a integração dos países sul-americanos "avança lentamente, mas é inegável que avança".

Para a pesquisadora, a liderança brasileira foi fundamental neste processo e a própria política externa dos Estados Unidos pós-11 de setembro beneficiou isso: "A política norte-americana estimulou o projeto sul-americano, seja por estratégias, seja por derrotas".



Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

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