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Relações entre Brasil e Argentina estão mais transparentes, diz embaixador Enio Cordeiro
Durante reunião com empresários na Fiesp, o diplomata atenuou as relações entre os países e disse que hoje o diálogo está mais aberto

Da esq. p/ dir.: o embaixador do Brasil na Argentina, Enio Cordeiro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o diretor-secretário da Fiesp, Nicolau Jacob Neto |
O embaixador do Brasil na Argentina, Enio Cordeiro, amenizou o tom de conflito que há entre o país portenho e o Brasil, a respeito das licenças não-automáticas aplicadas pelo governo Kirchner a produtos brasileiros.
Segundo Cordeiro, a Argentina vem cumprindo a promessa de liberar a entrada de mercadorias brasileiras no prazo máximo de 60 dias. "Não há o que celebrar, mas temos que reconhecer que há maior diálogo e transparência entre os dois países", disse o embaixador, durante reunião com empresários na Fiesp, nesta terça-feira (23).
Para o seu discurso otimista, o diplomata recorreu ao avanço das exportações brasileiras à Argentina no primeiro bimestre de 2010, cujo crescimento quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado.
No entanto, ao comparar com a mesma base de 2008 período que ainda não estava contaminado pela crise internacional , as vendas brasileiras ao país vizinho apresentaram um arrefecimento de US$ 485 milhões.
O embaixador Enio Cordeiro avaliou que hoje há apenas questões estruturais em alguns setores, como têxteis, autopeças e linha branca. Neste caso, ele sugere que o primeiro passo ao entendimento deveria partir dos setores privados. "Vocês [empresários] devem se entender e definir linhas de convivência", indicou.
O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, defendeu a construção de uma agenda positiva entre os dois países e pediu apoio à embaixada para atrair empresas brasileiras ao vizinho. "Neste cenário, devemos focar nos investimentos brasileiros na Argentina", pontuou Skaf.
A sugestão do presidente da Fiesp foi bem recebida pelos empresários que participavam da reunião, principalmente pelos representantes do setor têxtil, que viram suas vendas cair à metade em cinco anos.
Um empresário de um grande conglomerado têxtil chegou a dizer que hoje "é muito mais barato produzir na Argentina e que a construção de uma agenda positiva com eles, com foco nos investimentos, é uma saída prática", salientou a fonte.
Licenças não-automáticas
Um levantamento da Fiesp mostra que, em geral, a liberação destas licenças tem ocorrido dentro do prazo, embora alguns setores permaneçam com dificuldades. De acordo com a Fiesp, o número de produtos submetidos ao licenciamento não-automático reduziu ligeiramente de 411 para 406 produtos desde outubro de 2009.
No final do ano passado, os presidentes de Brasil e Argentina acordaram que a liberação de licenças respeitaria o prazo legal. Por conta disso, Lula e Kirchner determinaram a realização de reuniões periódicas, a cada 45 dias, entre os ministros da Economia, Relações Exteriores e Indústria e, a cada 90 dias, entre presidentes.
A próxima reunião de monitoramento do comércio está prevista para os dias 25 e 26 de março, em Brasília.
Panorama dos setores exportações brasileiras
Abicalçados (calçados)
Existe acordo voluntário para a redução de exportações com vigência até dezembro de 2011;
Acordo tem sido cumprido, com licenças sendo concedidas dentro do prazo legal.
Abimóvel (móveis de madeira)
Prazo para a concessão de licenças tem sido respeitado;
Interesse da entidade em renovar acordo de redução de exportações, expirado no final de 2009;
Interesse do setor argentino em promover integração produtiva da cadeia.
Abit (denim, outros têxteis e vestuários)
Apesar da maior agilidade na liberação de licenças em 2010, ainda há atrasos acima de 180 dias;
Assinatura de memorando de cooperação com a Federação Argentina de Indústrias Têxteis Fita (março/2010).
Anip (pneus)
Pneus de carga / agrícolas: suspensão por três meses da exigência de licenças prévias (até jun./2010);
Pneus de passeio: licenças têm sido concedidas no prazo.
Sindipeças
Baterias: interrupção na liberação de licenças, sem previsão para restabelecimento. Setor privado argentino sustenta que exportações brasileiras excederam o total acordado para 2009;
Freios e Embreagens: desrespeito ao prazo de liberação, que tem levado entre 65-70 dias.
Importações Brasileiras
Abas (produtos de aerossol)
Setor argentino não tem demonstrado disposição para negociar e restringir suas exportações;
Setor brasileiro pretende iniciar investigação de subsídios contra as exportações argentinas e salvaguardas contra as demais exportações.
Abitrigo (farinha de trigo)
As negociações para redução de exportações argentinas foram interrompidas em 2009.
Sindileite (leite em pó)
Cota para exportações argentinas (três mil ton./mês) e preço mínimo de exportação estabelecidos em abril de 2009.
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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