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São Paulo - 08/03/2010


Custo Brasil deixa produção brasileira 40% mais cara do que concorrência internacional

Para Mário Bernardini, da Abimaq, sem desoneração e financiamento, nenhum esforço empresarial será capaz de tirar desvantagem do País


Mário Bernardini, consultor da Abimaq
O Custo Brasil é responsável por tornar a fabricação e a produção de mercadorias 40% mais onerosas que os países concorrentes.

De acordo com o consultor da Associação de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Bernardini, os principais responsáveis pela grande diferença são impostos altos e não recuperáveis; juros na produção e custo de mão de obra e de insumos.

“A soma destes custos e mais os insumos iniciais, que aqui são bem mais custosos, fazem com que o produto brasileiro perca completamente sua competitividade internacional”, afirmou Bernardini durante a reunião mensal do Conselho Superior de Economia (Cosag) da Fiesp, nesta segunda-feira (8).

Segundo ele, para reverter este quadro, é necessária a desoneração dos investimentos, garantindo financiamentos competitivos para a indústria e, assim, criar um ambiente favorável aos investimentos produtivos.

“Os incentivos tem de ser regra e não exceções consubstanciadas em programas especiais nem sempre eficientes, ainda que bem intencionados”, defendeu. “Sem isso, quaisquer esforços empresariais para melhorar a competitividade acabam compensando apenas pequena parte da desvantagem brasileira”, acrescentou o especialista.

Além disso, continuou, a falta de impostos adequados sobre a importação e de uma taxa de câmbio favorável às exportações, torna o consumo de produtos externos mais vantajoso. Para o consumidor, comprar produtos importados a preços baixos pode, inicialmente, parecer uma vantagem, mas na opinião de Bernardini, o problema surge a médio e longo prazo.

“O Brasil não pode ser mais considerado um país emergente, até está se desenvolvendo, mas é um submarino em profundidade de periscópio”, avaliou.

Complicadores

Durante o encontro, Bernardini criticou a ação do governo em relação aos incentivos ao setor produtivo, condenando principalmente a alta tributação sobre a folha de pagamentos, que em outros países chega a ser 80% mais barata. “O empregado trabalha 2.600 horas por ano somente para pagar impostos. O governo virou um fim em si mesmo; ele trabalha só para ele mesmo”.

Para o especialista, os principais responsáveis por elevar o Custo Brasil são:

  • Logística – O “Panorama Logístico – Custos logísticos no Brasil 2008/2006”, publicado pelo Centro de Estudos em Logística da (CEL) da Coppead-UFRJ, mostra que as maiores empresas do Brasil possuem um custo com logística de 7,5% da receita líquida.

    Quando avaliados em relação ao PIB, no Brasil o custo eleva-se para 11,7%, cerca de 25% superior ao dos Estados Unidos.

  • Juros sobre capital de giro – A prática brasileira de 30% de juros reais gera um custo financeiro de capital de giro anual igual a 7,22%, alto em comparação com os concorrentes.

  • Investimentos – A diferença entre o custo de financiamentos de bens de capital no Brasil e no exterior, junto à despesa do crédito parcelado, é da ordem de 23,1% no investimento. Isso representa um impacto de 11,6 pontos percentuais no faturamento.

    Além destes entraves, Bernardini aponta outros itens que têm impacto negativo sobre o desenvolvimento brasileiro, como:
     
  • Baixa qualidade do sistema educacional e menor nível de escolaridade;
  • Obsolescência da infraestrutura de transportes;
  • Elevados custos portuários;
  • Estrangulamento do sistema energético;
  • Custos de transação elevados;
  • Custos complementares em saúde;
  • Segurança e dificuldade de acesso ao capital.

    “Se estes fatores continuarem a nos assombrar, nenhum esforço do empresário para aumentar a competitividade brasileira será capaz de cobrir as desvantagens”, concluiu Mário Bernardini.


  • Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp