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São Paulo - 02/12/2009


Alto risco de aplicação em P&D pede maior participação governamental

Setores produtivos reivindicam aumento das compras governamentais, subvenção econômica e alívio tributário

Os altos custos e riscos da aplicação em políticas de desenvolvimento e inovação tecnológica elevam a insegurança das empresas, tanto em expandir a mão de obra quanto em investir em tecnologias mais avançadas.

Neste sentido, durante o seminário Avaliação da Política de Desenvolvimento Produtivo, realizado na sede da Fiesp nesta quarta-feira (2), os setores da indústria pediram maior participação do governo no processo.

O diretor da Área de Informática da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Irineu Goveia, solicitou aumento nas compras de produtos industriais, a exemplo dos países mais desenvolvidos, bem como maior aplicação de recursos públicos nas empresas.

“A subvenção econômica deveria atingir no mínimo 40% do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico”, alertou.

Além disso, Goveia disse que o governo tem condições de permitir às empresas o uso de créditos tributários acumulados para direcioná-los às políticas de inovação. “O INSS e os encargos legais dos alocados para P&D têm que ser aliviados. Seria um grande incremento à competitividade econômica do País”.

Tapar buracos

A demanda prioritária é “tapar os buracos” da cadeia produtiva nacional, pois, segundo o vice-presidente de Tecnologia da Embraer, Emílio Matsuo, somente assim a indústria poderia criar produtos mais avançados e alcançar novos mercados.

“Tecnologias mais avançadas só serão possíveis num ambiente que permita contato direto entre empresas que trabalham com tecnologias diferentes”, explicou.

De acordo com o diretor da Abinee, outros pontos que precisam ser melhorados são a formação de mão de obra especializada – nos níveis tecnológico e superior – e o registro de propriedade intelectual.

“Precisamos de mais agilidade na concessão de patentes”. Segundo ele, a demora faz com que muitas empresas desistam do processo. “Estamos até pensando em começar a patentear no exterior”, concluiu.

Aplicações conjuntas


O ministro interino do MCT,
Luiz Antonio Rodrigues Elias

O ministro interino e secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Rodrigues Elias, prometeu que o governo irá direcionar investimentos conjuntos do BNDES, Finep e Petrobras às empresas, para ampliação tecnológica.

Além disso, espera já para o próximo ano atrelar os programas compartilhados entre Capes e CNPq, e outros grupos de pesquisa às indústrias, para que a iniciação científica e produção se fortaleçam.

“O impacto da crise surtiu efeito direto no setor produtivo. Vamos criar programas seletivos que possam melhorar as cadeias produtivas”, ressaltou.

Para ele, o mais importante é utilizar ao máximo a capacidade de inovação do País. “Vamos usar as áreas seletivas levantadas pelos próprios empresários. Assim o investimento será direcionado e melhor aproveitado por todos”, afirmou.

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp

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