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Comércio bilateral
São Paulo - 13/11/2009


Tecnologia de Israel pode alavancar competitividade das exportações brasileiras

Avanços tecnológicos do parceiro extra-regional podem aprimorar o agronegócio, avalia Roberto Giannetti da Fonseca, diretor da Fiesp

As economias de Brasil e Israel não são competitivas, mas complementares. E a tecnologia israelense agregada a produtos brasileiros pode alavancar a capacidade competitiva do Brasil no campo das exportações. A avaliação é do presidente da Câmara Brasil-Israel, Jayme Blay.

“O grau de desenvolvimento que se consegue na agricultura em Israel, devido a fatores específicos da região, pode trazer um benefício extraordinário em termos de produtividade e competitividade aos produtos brasileiros”, ele afirmou, durante o Encontro Empresarial Brasil-Israel, realizado na Fiesp, nesta quinta-feira (12).

Blay explicou que a produção agrícola israelense passa por um tratamento altamente específico, devido às características de pouca irrigação e condições atmosféricas da região.

“Temos aprendido muito na área de irrigação, para aprimorar ainda mais nosso agronegócio que já é bastante relevante na economia brasileira e mundial”, destacou Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp.

Segundo Jayme Blay, está em marcha um acordo tecnológico entre o Instituto Volcani de Israel e o Instituto Agronômico de Campinas, visando aprimorar a condição da produção brasileira de frutas, que poderia transformar o País em grande exportador para a Europa.

“O Instituto israelense desenvolveu técnicas que permitem o transporte e armazenamento, sem refrigeração, de uma série de frutas. Então, o mercado europeu estaria facilmente ao alcance dos produtores brasileiros”, ressaltou o presidente da Câmara Brasil-Israel. “Queremos sair da categoria de exportadores de commodities, e passar a ter maior valor agregado aos nossos produtos”, acrescentou.

Oportunidades

De acordo com Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais da Fiesp, existem alguns setores-chave com competitividade dos dois países, e as tarifas recíprocas são altas. “São setores em que há oportunidade para criação de comércio”, destacou Marconini.

Da parte brasileira, couro, madeira, indústria química, plástico, borracha e móveis são segmentos nos quais o Brasil tem competitividade global e as alíquotas de importação de Israel são altas, acima de 10%.

Já o país do Oriente Médio poderia incrementar suas exportações de produtos químicos, farmacêuticos, adubos e fertilizantes, metais, vidros, máquinas e aparelhos elétricos com a desgravação das tarifas brasileiras, que chegam a 13% nesses setores. As negociações estão previstas no Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e Israel.

Tecnologia de ponta

Elisha Yanay, chefe da comitiva empresarial israelense e representante da Motorola – companhia que tem em Israel seu maior centro de P&D do mundo –, lembrou que das exportações totais do País em 2008, cerca de US$ 60 bilhões, metade foi de produtos com alta tecnologia.

Somente os itens de software e hardware arrecadaram US$ 20 bilhões – valor que não ultrapassava US$ 6 bi há 12 anos e que deve continuar a crescer em um ritmo de 15%, segundo o empresário.

“Nossos produtos têm um valor agregado muito mais alto, se compararmos com a indústria de qualquer outro país”, afirmou Yanay. “O Brasil está localizado em uma área estratégica do mundo e tem muitas vocações. Podemos alavancar muito juntos”, acrescentou.

Israel tem hoje 8.000 profissionais formados em engenharia de software e lidera o ranking mundial de investimentos em P&D, entre 55 países, com o maior percentual do PIB destinado à pesquisa (4,5%), segundo o Anuário de Competitividade Mundial de 2008, elaborado pelo instituto suíço IMD.

Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

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