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Setor de Petróleo e Gás dribla crise, mas enfrenta queda na demanda
Concorrência com similares e valorização cambial foram os vilões do arrefecimento do consumo
O setor de Petróleo e Gás tem manifestado, desde o início do ano, forte ritmo na atividade econômica e de investimento, ao contrário do conjunto da economia, que ainda sofre com os resquícios da crise internacional. A Petróbras, por exemplo, mantém seu programa de investimentos em linha com suas metas de médio e longo prazo.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Gás e Biocombustíveis (IBP), o impacto da crise foi sentido somente na demanda, que deverá crescer com menos fôlego. Para a IBP, consumo de derivados sofreu impacto negativo, seja para movimentação de mercadorias, fontes de energia nos processos industriais e geração termelétrica, ou simplesmente como em insumos de matérias-primas.
Esta queda na demanda, na avaliação do diretor do IBP, Felipe Dias, foi causada pela concorrência com produtos substitutos (álcool, gás natural, carvão mineral, biomassa e biodisel); da redução da área plantada e da produção da safra de grãos em 2009; e da valorização cambial.
Nos últimos cinco anos, a participação do conteúdo nacional subiu quase vinte pontos percentuais, saindo dos 57%, em 2003, para 75%, registrados até junho deste ano.
Este aumento na participação representou uma encomenda adicional de US$ 13,2 bilhões à indústria brasileira e 605 mil novos postos de trabalho, explicou Felipe Dias, nesta segunda-feira (26), durante workshop sobre o papel da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), realizado na sede da Fiesp.
Desafios
Mesmo conseguindo driblar a crise, o setor ainda enfrenta alguns desafios:
Terá que se adaptar à nova conjuntura e à nova visibilidade de preços;
Preparar-se para o novo ciclo de investimentos, que demandará enormes recursos;
Definir questões regulatórias;
Isonomia tributária e desoneração do investimento;
Desenvolvimento tecnológico e investimento em P&D;
Capacitação profissional e formação de recursos humanos.
Na análise do IBP, um dos principais problemas do setor é a carência de mão de obra qualificada. Atualmente, a capacidade profissional é insuficiente para fornecimento de bens e serviços para atender à demanda do setor, tanto no que se refere à tecnologia quanto à escala de fabricação, afirmou Dias.
Propostas
A IBP informa que a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) contempla somente financiamento e desonerações. As questões de desonerações do setor de petróleo já estavam equacionadas e acertadas antes da implantação do PDP. Para Felipe Dias, a implantação da PDP, pouco mudou o cenário.
Ainda assim, existem algumas lacunas, segundo o IBP, que precisam ser preenchidas. Entre elas:
Criar isonomia tributária entre o fornecedor nacional e o produto importado com desoneração do investimento;
Melhorar produtos e processos dos instrumentos de financiamento para investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) disponíveis na PDP;
Viabilizar instrumentos que estimulem o aporte direto em P&D pelas empresas;
Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp
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