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Capital estrangeiro
São Paulo - 20/10/2009


Decisão do governo em taxar capital especulativo é defendida pela Fiesp

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a taxação será benéfica para conter a valorização cambial


Paulo Skaf, na abertura do IV Congresso das MPIs: "É necessário aproveitar as oportunidades deste novo momento econômico – principalmente para as micro e pequenas indústrias –, em que o Brasil está no foco das atenções internacionais

A decisão do governo federal de taxar em 2% a entrada de capital estrangeiro com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) agradou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para a entidade, a criação desta taxa irá inibir a entrada de capital especulativo, o que poderá conter a valorização cambial. "Não apoiamos novos taxas ou impostos, mas algo precisava ser feito, caso contrário o dólar estaria em R$ 1,50", avaliou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, nesta terça-feira (20) durante abertura do IV Congresso da Micro e Pequena Indústria. "Os especulativos pensarão duas vezes antes de aportar no Brasil", completou.

Pelas contas do governo, de junho a agosto, o ingresso de capital especulativo somou US$ 322 milhões. Nos três meses anteriores, entraram no País US$ 186 milhões em capital de curto prazo. Desde o início do ano, entraram líquidos cerca de US$ 20 bilhões em aplicações de estrangeiros na Bolsa de Valores.

Para Skaf, esta movimentação contribuiu para a valorização cambial e prejudicou o desempenho das exportações. De acordo com o levantamento da Fiesp, as vendas brasileiras de manufaturados ao exterior sofrerão forte queda de 30% neste ano.

Embora este índice não seja animador, o líder empresarial segue otimista e diz que é necessário aproveitar as oportunidades deste novo momento econômico – principalmente para as micro e pequenas indústrias –, em que o Brasil está no foco das atenções internacionais.

Micro e pequena


Milton Bogus, do Dempi/Fiesp: "Houve uma expansão do crédito, mas que ainda não está chegando às empresas"
Para o diretor do Departamento de Micro e Pequena Indústria (Dempi) da Fiesp, Milton Bogus, ainda existe um desconhecimento das linhas de crédito operadas pelos bancos. Bogus reconhece que houve uma expansão do crédito, mas que ainda não está chegando às empresas.

Bogus destacou os fundos de aval como forma de aportar capital para os micro e pequenos que não têm como oferecer garantias de quitação da dívida. "A operacionalidade deste mecanismo ainda está baixa, tendo em vista que somente os bancos públicos oferecem este mecanismo. Os bancos que não aderirem ao sistema (Fundos de Aval) perderam competitividade", disse Bogus.

Podem utilizar o fundo:
 
  • Micro e pequenas empresas com faturamento bruto anual de até R$ 2,4 milhões;
  • Médias empresas que faturam até R$ 15 milhões;
  • Microempreendedores individuais.

    De acordo com o presidente da Nossa Caixa, Demian Fiocca, cerca de dois terços das micro e pequenas empresas que antes não tinham como captar recursos, começaram a ter crédito por meio deste tipo de fundo. "Cortamos algumas instâncias que burocratizavam a liberação de valores [...] atualmente a Nossa Caixa concede mais de 600 linhas de empréstimos por semana, equivalente a R$ 400 milhões ", explicou Fiocca.

    Ouça aqui as entrevistas de Paulo Skaf e Milton Bogus à Agência Radioweb.



  • Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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