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Fundo garantidor elimina gargalos, mas é preciso diminuir custo do crédito
FGO operado pelo Banco do Brasil já movimentou R$ 660 milhões em um mês. Mas para a Fiesp, dinheiro precisa chegar barato aos micro e pequenos empresários
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Milton Luís Melo Nascimento, presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento
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A entrada em operação dos fundos garantidores já deu sinais de que a ferramenta pode alavancar a participação das micro e pequenas empresas nas concessões de crédito, com a dispensa de apresentar garantias extras para tomar empréstimos.
O excesso de garantias exigidas é o principal gargalo para a obtenção de recursos para 17% dos empresários ouvidos nas Salas de Crédito da Fiesp, segundo levantamento do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da entidade.
Outros 22% apontam a alta taxa de juros como obstáculo, e para 32% dos empresários, o relacionamento com a gerência dos bancos é a principal dificuldade. Os números foram apresentados nesta terça-feira (20), no IV Congresso da Micro e Pequena Indústria, promovido pela Fiesp e o Ciesp, em São Paulo.
O Fundo Garantidor de Operações (FGO), aplicado pelo Banco do Brasil, já registrou 19 mil transações contratadas em um mês de funcionamento, com volume de R$ 660 milhões, entre capital de giro e investimento. Só o estado de São Paulo responde por 21,4% das novas operações.
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José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec/Fiesp
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Acesso ao crédito
O FGO e o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram criados com a Medida Provisória 464, editada em junho deste ano. A MP autorizou o repasse de até R$ 4 bilhões do Tesouro Nacional para os fundos.
Mas, segundo especialistas, é preciso que os fundos garantidores funcionem como redutores da taxa de juros ao consumidor final, o que passa pela diminuição efetiva dos spreads bancários das operações de crédito.
O bom pagador tem que ter reconhecimento, e devem ser aplicadas a ele as condições adequadas pelas instituições financeiras, afirmou Milton Luiz de Melo Nascimento, presidente da Nossa Caixa Desenvolvimento, agência de fomento do governo paulista, que também foi autorizada como agente repassador das linhas do BNDES.
Por ter uma economia estável e preservar a rigidez nas operações bancárias, o Brasil tem amplas condições de estruturar mecanismos de financiamento de longo prazo, e mais flexíveis, acrescentou Nascimento.

Ricardo Tortorella, superintendente do Sebrae-SP |
Já o banco Nossa Caixa, que também aderiu ao fundo garantidor, já registrou mais de duas mil transações somente em São Paulo, segundo o presidente Demian Fiocca.
O FGO foi pensado para que mais empresas pudessem ter acesso ao crédito. E o potencial é muito positivo: dois terços das nossas operações estão saindo com o fundo garantidor. Eram empresas que tinham condições de pagar um empréstimo, mas não tinham acesso a crédito por causa das garantias exigidas, afirmou.
Viabilizar os investimentos
Na avaliação do diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, o crédito está sendo restabelecido aos níveis anteriores à crise, mas o importante é fazer com que o dinheiro chegue aos micro e pequenos empresários e mais barato.
A Fiesp sugere uma agenda para viabilizar a redução dos spreads bancários e o custo do capital, que passa pela aprovação do cadastro positivo, em tramitação no Congresso Nacional um banco de dados que reunirá informações de bons pagadores , pela portabilidade dos dados cadastrais e a redução da burocracia.

Fábio Gallo Garcia, professor da FGV |
É preciso criar condições para que o fluxo de capital disponível se transforme em investimento, que, em 2008, ficou abaixo de 19% do PIB brasileiro, enquanto nos países mais competitivos chegou a 25%, comparou Roriz, em referência ao ranking mundial de competitividade divulgado recentemente pela Fiesp.
Ricardo Tortorella, superintendente do Sebrae-SP, lembrou que boa parte do lucro dos bancos provém das micro e pequenas empresas, que representam 98% do tecido produtivo brasileiro. Isso tem que ser reconhecido. Precisamos de uma nova maneira de calcular riscos: dar crédito a todos e punir quem não paga, colocou.
Segundo Fábio Gallo Garcia, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a média histórica da relação crédito/PIB no Brasil é muito baixa, embora acima da média latino-americana (22%). Em 2005, essa fatia foi de 35%, e deve chegar a 45% ao final de 2009. Nos Estados Unidos, o crédito chega a 150% do PIB.
Mas crédito não é a solução para todos os males da empresa. A capacidade gerencial é essencial. Planejamento, organização, gerenciamento de fluxo de caixa, ponderou o professor da FGV.
Paulo Skaf fala à Agência Radioweb sobre Fundo de Aval, ouça aqui.
Mariana Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp
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