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Meio ambiente
São Paulo - 16/10/2009


BID vai emprestar US$ 600 mi para Sabesp dar continuidade à 3ª fase do Projeto Tietê

Em reunião com conselheiros da Fiesp, presidente da companhia, Gesner Oliveira, detalhou as etapas dos trabalhos


Gesner de Oliveira, presidente da Sabesp
Um dos ícones de São Paulo, o rio Tietê foi o foco dos debates de dois Conselhos Superiores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta sexta-feira (16), na sede da entidade.

As áreas de Infraestrutura (Coinfra) e Meio Ambiente (Cosema) discutiram o tema com Carlos Tramontina, âncora da TV Globo, e Gesner de Oliveira, presidente da Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), detalhando investimentos do Projeto na região metropolitana.

"A Sabesp dobrou seus investimentos, atendendo à necessidade de um salto de infraestrutura em saneamento", informou Oliveira. Segundo ele, o Projeto Tietê é um dos maiores programas de saneamento ambiental do mundo e a expectativa é universalizar os serviços de saneamento, nos municípios onde a Sabesp atua, até 2018.

O presidente da companhia traduziu, em números, uma conquista recente: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou, na quarta-feira (14), empréstimo da ordem de US$ 600 milhões para a terceira fase do projeto. A Sabesp entrará com US$ 200 milhões de recursos próprios.

Até 2015, a previsão é ampliar os índices de coleta de esgoto da região metropolitana de 84% para 87% e os de tratamento de esgoto coletado de 70% para 84%. A terceira fase deverá beneficiar diretamente mais de 3 milhões de habitantes da Grande São Paulo e da bacia do Médio Tietê.

Ao todo, serão construídos 580 quilômetros de coletores e interceptores, 1.250 quilômetros de redes coletoras, e efetivadas 200 mil ligações domiciliares. Atualmente, já estão em andamento obras na região Leste de São Paulo.


Carlos Tramontina, âncora da TV Globo
Primeira e segunda fases

A Sabesp investiu US$ 1,6 bilhão no Projeto Tietê, distribuído em duas etapas. A primeira (1992-1998) priorizou a construção de estações de tratamento e a ampliação do sistema de coleta e afastamento de esgoto, elevando o índice de coleta de 70% para 80% e o de tratamento de 24% para 62%. Houve uma ampliação de 1.850 km da rede coletora.

Na segunda fase (2000-2008), o sistema de coleta e transporte foi expandido e otimizado, consumindo US$ 500 milhões. O índice de coleta de esgoto passou de 80% para 84%, enquanto o de tratamento, de 62% para 70%.

Flutuador trouxe à tona necessidade de revitalização do Tietê

Carlos Tramontina, âncora da TV Globo, apresentou detalhes e resultados do projeto “O flutuador do rio Tietê”. O objetivo da expedição era medir o nível de oxigênio na água e sua qualidade. “O Tietê faz parte da vida de São Paulo e as pessoas não se orgulham do rio que têm”, desabafou o jornalista.

O projeto, concebido no ano passado, teve como parceiro o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), desenvolvedor do flutuador que, apesar de pequeno – 12 quilos e com 40 cm de diâmetro, mas com direito a GPS –, rendeu 118 reportagens e percorreu mais de 500 km, sempre sob o olhar atento do "aventureiro" Dan Robson.

No percurso de Biritiba Mirim a Barra Bonita, Robson não só detectou falta de oxigênio em diversos pontos, mas também concentração de resíduos químicos, cemitério clandestino de carcaças de veículos e muito, muito lixo.

Entre os pontos positivos do projeto, Tramontina lembrou que a questão do saneamento e da qualidade da água foi colocada em destaque e a população passou a cobrar ações de seus prefeitos em função deste debate.


Walter Lazzarini, presidente
do Cosema/Fiesp

"O rio não é de ninguém, é de todos nós", disse Walter Lazzarini, presidente do Conselho de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp. Exatamente porque o rio pertence a todos, torna-se necessário fazer algo. Olhar experiências bem-sucedidas de revitalização é um caminho.

A experiência vivida na Coréia foi retratada por Tramontina, em matéria especial. Apesar de situada do outro lado do globo terrestre, as similaridades com São Paulo são gritantes: Seul tem mais de 10 milhões de habitantes, excesso de automóveis e áreas profundamente degradadas.

Anos atrás, o córrego Cheong-Gye, com cerca de cinco quilômetros de extensão, foi tapado e ganhou uma via suspensa, semelhante ao Minhocão. O resultado foi a deterioração em seu entorno. Um projeto audacioso colocou tudo abaixo, revitalizando totalmente a área.

O projeto durou 27 meses, não registrou nenhum atraso e consumiu US$ 386 milhões (de 2003-2005), elevando a autoestima da população. O rio Han, o principal que corta a cidade, tendo até um quilômetro de largura, teve o mesmo destino: ganhou vida novamente.

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp