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Brasil ganhará novo inventário de emissões de gases de efeito estufa
Conforme senadora Ideli Salvati (PT-SC), novo documento norteará ações de mitigação das mudanças climáticas que o País deverá adotar
O último inventário brasileiro de emissões de gases de efeito estufa é de 1994. E nele, o mal uso da terra e das florestas (queimadas e desmatamentos) destaca-se como responsável por 55% das emissões.
O governo brasileiro prepara novo documento, que será apresentado até o final deste ano, segundo informações da senadora Ideli Salvati. Ela participou nesta terça-feira (6) do encerramento do 10º Encontro Internacional de Energia que a Fiesp e o Ciesp promoveram em São Paulo.
O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, maior reserva florestal, maior quantidade de água potável e energias renováveis. O maior crime é o desmatamento, mas que está sendo reduzido, apontou a senadora.
Ideli, que preside a Comissão Mista Permanente Sobre Mudanças Climáticas (que reúne deputados e senadores), defende a liderança do Brasil nas discussões sobre clima na próxima Conferência do Clima (a COP-15), a se realizar em dezembro deste ano na Dinamarca.
Não será possível avançar em compromissos se não houver viabilidade econômica. As metas envolvem interesses econômicos, mudança no modelo produtivo e no padrão de consumo, acrescentou.
Meio ambiente
O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, salientou que desde o início de seu mandato tem se preocupado em discutir questões ambientais com transparência. Este é um tema de alta relevância, explicou.
Segundo Skaf, os diferentes setores da sociedade serão responsáveis pelo posicionamento do Brasil durante a Conferência do Clima em Copenhague. Precisamos ter cuidado para não comprometer o desenvolvimento do Brasil, alertou.
O presidente da Fiesp/Ciesp e a senadora Ideli Salvati concederam entrevista à Agência Radioweb. Ouça aqui.
Combate ao desmatamento
Na discussão, o senador Valdir Raupp (PMDB-BA), destacou que o Brasil é carente de programas específicos sobre questões climáticas: Precisamos investir nestes projetos, tendo em vista a importância do tema.
Na avaliação do parlamentar, é preciso repensar o modelo de combate ao desmatamento da Floresta Amazônica. Para ele, a industrialização extingue a pressão que as pessoas geralmente sofrem nas áreas rurais, suscetíveis ao desmatamento. Um exemplo de modelo que deu certo foi a construção da Zona Fanca de Manaus, que tirou as pessoas do campo. Hoje, essa área não é mais ameaçada de desmatamento.
Atraso
O deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA) ressaltou que o País está atrasado em relação ao encaminhamento das propostas para o COP-15, em vista dos 63 dias restantes para o encontro em Copenhague.
O primeiro relatório da Comissão Mista e Permanente de Mudanças Climáticas do Congresso tem de sair até o fim da próxima semana e o segundo, até meados de novembro, disse.
A Comissão, composta por 12 deputados e 12 senadores, funciona desde abril deste ano e, de acordo com o deputado, conta com 18 Projetos de Lei. Seu principal objetivo: estabelecer um Plano de ação Nacional para as questões do clima e desenvolver o Fundo de Crédito de Carbono, que aumentaria as vantagens econômicas brasileiras.
Devemos, sim, pensar os problemas ambientais em conjunto com as nações. Mas não podemos permitir que os países industrializados deixem os emergentes como os únicos responsáveis pelo salvamento do planeta, salientou Martins. Para isso, completou, o legislativo precisa levar o quanto antes os dados que levantou à aprovação diplomática, para que tenham poder de negociação em Copenhague.
No entanto, ele lembrou que os problemas ambientais estão inseridos num contexto mais amplo e, se pensados isoladamente, não serão suficientes para solucionar os impasses do Brasil, principalmente os sociais.
Se o País não tiver condições de subsidiar os trabalhadores da Amazônia, por exemplo, não há como pararmos com os desmatamentos que tanto agridem o meio ambiente. Até revertermos este quadro, para estas pessoas uma árvore no chão sempre valerá mais, ressaltou.
Brasil em foco
De acordo com o senador Marco Maciel (DEM-PE), o Brasil é o quinto maior emissor anual de gases poluentes do mundo. Este cenário está sendo alimentado principalmente por conta do desmatamento das reservas florestais.
Atualmente, 26% do foco de poluição dos grandes centros urbanos do País são derivados das práticas irresponsáveis de desmatamento, lembrou o senador.
Em contrapartida, o Brasil possui vantagens competitivas na nova economia verde, que desponta no mundo, pois a base energética brasileira é limpa, de baixo custo e de grande potencial. Para o País crescer economicamente, atendendo as demandas ambientais e garantindo qualidade de vida à população, só é necessário foco político, pois o resto já possuímos, sublinhou Maciel.
O parlamentar também chamou atenção aos casos do semi-árido, do cerrado e da caatinga, que ainda não têm proteção dos órgãos legais no Brasil. O Senado está discutindo a inclusão destas regiões dentro das áreas protegidas. A caatinga e o cerrado são biomas únicos no mundo que estão com cerca de 10% de sua formação original, afirmou.
Na mesma linha, o deputado federal Jorge Khoury (DEM-BA) completou dizendo que o rio São Francisco pode perder mais de um quarto de sua vazão atual. Além disso, as mudanças climáticas mundiais afetariam negativamente todas as fontes energéticas do Brasil. Só a hidrelétrica do São Francisco perderia cerca de 8% de sua produtividade.
E concluiu advertindo: Se medidas eficientes não forem tomadas, num futuro muito próximo os efeitos do aquecimento global serão mais drásticos que os impactos econômicos.
O 11º Encontro Internacional de Energia já tem data: 9 e 10 de agosto de 2010.
Lucas Alves e Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp
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