Soluções simples para otimizar o tratamento de água

A Aegis Semicondutores fabrica cinescópios – tubos de imagem para televisores e monitores de computador – certificados com o selo ISO 14001. É líder mundial de mercado no segmento e 50% da sua produção anual, de 6 milhões de peças, é exportada.

Ao lado da meta de evolução constante de seus sistemas de qualidade, embora já possuísse uma estação de tratamento de efluentes, a Aegis queria tornar ainda mais eficiente o reaproveitamento de sua água, pois considerava o tratamento dispendioso e sabia que, mesmo após ser utilizada, a água proveniente de seus processos mantinha um alto grau de pureza, o que é uma característica da microeletrônica.

Na busca de alternativas, a empresa fez um acordo com a equipe de Tecnologias Limpas do Laboratório de Sistemas Integrados da USP, parceria que não envolveu custos. “Foi uma troca. Abrimos as portas para que eles estudassem os nossos processos e fornecemos amostras para análise. Isso permitiu à equipe desenvolver o seu estudo na área de tratamento de efluentes utilizando a infraestrutura existente na universidade”, explica Wanderlei Marzano, gerente da Aegis, indústria associada à Fiesp/Ciesp, que produz e exporta componentes semicondutores, material largamente utilizado na fabricação e desenvolvimento de maquinários eletrônicos.

Como ferramenta metodológica, a equipe utilizou a filosofia dos 3R (Reduzir, Reusar e Reciclar) e a proposta de prevenção de poluição descrita no manual da Cetesb. Estudou todos os processos e mapeou cada tipo de água, para identificar o tratamento necessário a cada uma. Descobriu-se que os produtos utilizados, adotados com base nas práticas de tratamento comuns no mercado, não eram adequados aos efluentes da empresa.

A solução era simples: bastava trocar os produtos químicos de tratamento. “Nem sempre para produzir resultado é preciso trocar equipamentos. Na Aegis, houve apenas a troca de etapas e de materiais”, conta Marzano, acrescentando que, além da adequação de produtos, houve a substituição por opções mais baratas que tinham desempenho semelhante.

“As modificações foram introduzidas gradativamente, em doses homeopáticas, à medida que íamos identificando possibilidades de adaptações”, explica o gerente. Os resultados foram rápidos. O volume de água caiu drasticamente: os 1.100 metros cúbicos que eram gastos por mês passaram a 150 metros cúbicos, pouco mais de 10% do consumo anterior. Com o tratamento, a água pode ser reutilizada em qualquer uma das etapas produtivas.

Criatividade e parcerias

Além do acordo com a equipe da USP, a Aegis também conta com uma consultoria externa para auxiliar em sua estação de tratamento. Marzano acredita que é sempre possível reduzir o consumo e favorecer o meio ambiente. Para ele, o diferencial está na criatividade. “É preciso ter vontade, identificar o problema e buscar soluções”, afirma o gerente, para quem as iniciativas de sensibilização e orientação, como as desenvolvidas pela Fiesp/Ciesp, são indispensáveis para disseminar o conceito de produção mais limpa. Ele também ressalta a importância de se buscar informação, apoio e parcerias.

Por Elaine Carvalho, Agência Indusnet Fiesp