Duratex S.A. (Unidade Louças Jundiaí – LJ)


O processo de produção de louça sanitária é intensivo no uso de água para acabamento das peças cruas, lavagem de piso e lavagem de equipamentos, como peneiras, moinhos e tanques. Gera-se grande quantidade de efluentes com concentração significativa de materiais sólidos. Essa geração pode ser considerada proporcional à produção da fábrica, ou seja, a maior produção de louças implica maior consumo de água e maior geração de efluentes industriais a serem tratados.

Devido à grande utilização de água e geração de efluente, a produção de louça sanitária merece atenção no que diz respeito ao tratamento e reaproveitamento desse recurso natural.

Medida adotada

O abastecimento de água da unidade baseia-se na extração de água subterrânea através de um único poço artesiano perfurado dentro de seu terreno. Esse poço tem uma vazão de fornecimento aproximada de 15m3/h, o que pode ser considerada bastante razoável. Dessa forma, o consumo de água nunca havia representado uma preocupação significativa, seja em termos de custo ou de quantidade. O aumento de produção, porém, mudou essa realidade.

Esse aumento no consumo de água no processo de produção levou a empresa a elaborar um projeto e construir uma Estação de Tratamento de Efluentes, que permitisse a absorção do crescimento da produção e garantisse a efetividade do tratamento em qualquer condição de geração de efluente.

O início de operação deu-se em outubro de 2002. Essa estação, por ser robusta e utilizar o processo de tratamento por batelada, amortece as variações de qualidade e quantidade de efluente gerado. Também garante a qualidade do efluente tratado segundo os padrões estabelecidos pela Legislação Ambiental.

O que também motivou a elaboração e implantação do projeto foi a possibilidade de reaproveitamento da água tratada para o grande uso de água na cerâmica: a lavagem de pisos e equipamentos. Como ganho secundário, houve a possibilidade de reaproveitamento de parte do lodo gerado na Estação como matéria-prima para a própria fábrica. Hoje, 1,5% da formulação da massa é composta pelo material sólido de massa cerâmica produzido na Estação.

Essa Estação de Tratamento de Efluentes não pode mais ser nomeada dessa forma, pois, em vez de simplesmente tratar o efluente e dispor do material, procura-se aproveitá-lo ao máximo. Tanto que seu nome foi, desde 2003, alterado para Área de Recuperação de Materiais (ARM). Esse é o grande ganho do projeto: permitir que a Área de Recuperação de Materiais não fosse mais um processo à parte, mas estivesse considerado dentro da cadeia produtiva da fábrica.

Investimentos

O investimento na construção da Área de Recuperação de Materiais na unidade LJ foi de R$ 1.145.500, sendo que R$ 607.000 foram gastos em obras civis e instalações (2001-2002), R$ 415.000 em equipamentos (2002) e R$ 123.500 na ampliação da rede de reúso (2004).

Resultados ambientais e econômicos

A unidade de LJ, após a construção da ARM, teve uma redução de lançamento que implicou em uma economia anual de R$ 47.000. Esse valor é bastante baixo considerando-se o investimento envolvido. A cobrança pelo uso de água subterrânea que terá início em 2007, aumentará a economia anual gerada pelo reúso.

Um dos indicadores mais importantes monitorados pela Área Ambiental da unidade LJ é o consumo específico de água, ou volume necessário de água aduzida para a produção de cada peça cerâmica. Após a construção da ARM, esse consumo específico foi reduzido de 64,4 litros/peça para 47,1 litros/peça.

Como benefícios sociais, podem ser citados a redução de envio de efluentes a serem tratados pela CSJ (Companhia de Saneamento de Jundiaí) e os treinamentos realizados em função da necessidade de reúso pela fábrica, tanto para os funcionários internos, bem como para os terceiros e para os visitantes que freqüentemente vêm à fábrica para conhecer a ARM, principalmente escolas e universidades.

Os benefícios econômicos foram a redução de custo com destinação de efluente para a CSJ e a viabilidade de aumento de produção, sem a necessidade de construção de um novo poço artesiano ou sem o uso de água da rede pública, cujo valor por m3 é bastante elevado.