LG Philips – projeto incentiva redução da agressão ao meio ambiente


A LG Philips Displays, de São José dos Campos, ao participar do Programa Ecovision de Melhoria Ambiental proposto pela matriz, desenvolveu projetos criativos e inovadores com resultados tão positivos que foram usados como referência para outras unidades mundiais da corporação.

A empresa fabrica cinescópios – tubos de imagem para televisores e monitores de computador – certificados com o selo ISO 14001. A companhia é líder mundial de mercado no segmento e 50% de sua produção anual, de 6 milhões de peças, é exportada. Ao lado da meta de evolução constante de seus sistemas de qualidade, criou-se igualmente o compromisso de implementar um projeto de incentivo à diminuição da agressão ao meio ambiente.

Mão na massa

Os funcionários foram divididos em grupos de trabalho, chamados de “times de melhoria”. O potencial criativo e a determinação foram decisivos na superação das metas, estipuladas em 1988 para ser cumpridas até o início de 2003. Em energia, por exemplo, o objetivo era reduzir o consumo em 25%, mas, graças à substituição do aquecimento por resistências elétricas pelo gás natural, conseguiu-se 32%.

Quanto aos resíduos enviados aos aterros, a pretensão era reduzi-los em 35%, mas foi atingida a meta de 86%. Em água, a redução de 25% no volume consumido por tubo foi alcançada com sobra, chegando a 55%. Quanto às substâncias restritas (percloretileno), que estão proibidas na Europa, a empresa conseguiu uma surpreendente redução de 100%.

O maior desafio

Para o processo de criação dos cinescópios em todas as fábricas do mundo, é necessária a aplicação da acetona, para prevenir o aparecimento de manchas opacas na tela. Classificada entre as substâncias relevantes, toda a sobra do produto era carregada diretamente para a estação de tratamento industrial e de afluentes, onde era tratada e descartada em um rio próximo à empresa.

Para reverter esse quadro, foi criado um grupo de trabalho, denominado “Sem desperdício”, constituído por um engenheiro químico e sete operadores de produção selecionados para esse desafio. Eles elaboraram um plano de ação com a utilização de softwares especiais e acompanhamento direto, com avaliação de todo o processo de redução do produto. Resultado: conseguiram diminuir o consumo em 76%. Em 2001, era de 49,12 litros/1.000 telas.

No ano seguinte, caiu para 11,76 litros/ 1.000 telas. Isso tudo sem prejudicar a qualidade do produto final. “Quebramos um paradigma. Em 2002, obtivemos uma redução de 171.000 litros de acetona, sem qualquer sinal de mancha opaca, e fomos referência para as demais unidades mundiais da corporação”, comemora João Sílvio de Oliveira, do Departamento de Excelência nos Negócios. A ação resultou ainda numa economia de custo de US$ 71 mil, além de trazer benefícios ambientais, ergonômicos e financeiros.

Criatividade e economia

O grupo foi responsável também por outra inovação. Criou o slip sheet, uma espécie de bandeja de papel especial que substitui o pallet de madeira. Os resultados apareceram logo: os tubos de imagem eram transportados para as montadoras de televisão em Manaus em 1.880 carretas por ano. Utilizando o slip sheet, esse número baixou para 1.440 carretas.

Os ganhos ambientais também foram significativos: mais de mil toneladas de madeira deixaram de ser consumidas por ano e a empresa obteve uma economia de US$ 1,2 milhão. A implementação desses projetos foi repassada para as demais unidades mundiais.

O projeto desenvolvido pela LG Philips Displays, de São José dos Campos, foi indicado pela Fiesp para figurar entre os finalistas do Prêmio CNI 2003, na categoria Ecologia, modalidade Conservação dos Insumos da Produção.

Sinval Aragão, Agência Indusnet Fiesp