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Workshop Sistemas Prediais 360º alerta sobre conduta sustentável e uso de normas técnicas para garantia da segurança das edificações

Evento promovido pelo Departamento da Construção da Fiesp mostra resultados de grupo de trabalho ligado ao tema

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

O workshop Sistemas Prediais 360º, que aconteceu nesta quarta-feira (18/4), na Fiesp, promovido por seu Departamento da Construção (Deconcic), alertou o setor da construção sobre a relevância da conduta sustentável nas edificações e o uso de normas técnicas para garantia da segurança durante e após a construção.

O deputado Itamar Borges (MDB), da Frente Parlamentar da Indústria da Construção, presente no evento, falou que “é preciso ter legislação, com previsão de inspeções, regramento para as evoluções que se fazem necessárias nas edificações”.

Carlos Eduardo Trombini, diretor do Deconcic e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Sistemas Prediais, lembrou que o evento é o primeiro a ser realizado pelo grupo de trabalho. “Hoje é o nosso baile de debutantes. Nosso primeiro encontro do grupo de trabalho sobre sistemas prediais, que começou há quase dois anos”, destacou.

Trombini alertou sobre a relevância de bons projetos para a redução de custos ao longo prazo e promoção da segurança do usuário. “Temos a BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), que trouxe a interação entre sistemas. Sem essa integração, cometeríamos muitos erros. Hoje por meio de softwares integramos disciplinas. A interação de toda a cadeia é atender todas as normas técnicas e reduzir custos. Além disso, temos a questão sustentável. Os prédios têm de ser sustentáveis, recolher sua própria água”, disse.

Segundo Trombini, o objetivo desse grupo de trabalho é ter um programa de certificação para as empresas, estendendo-o aos funcionários. “Precisamos trabalhar a qualidade dos insumos, na redução de ocorrências e trazer o consumidor para perto para julgar o trabalho. O consumidor precisa estar inserido no início da cadeia. É um trabalho preventivo, não corretivo. Não tem sentido depois que a edificação está pronta. O cliente é a alta autoridade do projeto”, argumentou.

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Workshop Sistemas Prediais 360º, promovido pelo Deconcic, da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Luiz Olimpio Costi, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (Abrasip), também deu destaque para a relevância de bons projetos. “A indústria da construção tem suas particularidades. Temos que fazer, modular para padronizar uma série de elementos que serão implantados naquela construção. Precisamos transformar a indústria da construção com um todo num processo industrial, pré-fabricadas, mas esse é um ponto ainda muito difícil. A indústria da construção tem necessidade de um bom projeto”, alertou.

O avanço tecnológico é outro ponto abordado por Costi como desafio a ser superado. “Na construção, o avanço tecnológico é muito rápido. Passamos 24 horas por dia fazendo exercícios tecnológicos. As tecnologias mudam muito. Uma tecnologia que é usada hoje pode não valer para daqui 15 anos”, destacou, observando ainda que “falta um plano diretor de normas técnicas. O prédio é como um corpo humano, precisa de manutenções periódicas”.

Ainda segundo Costi, a relevância dos projetos está justamente em fazer tentativa e erro. “No papel, o custo é zero. Posso estudar uma série de soluções. Por isso, vamos incorporar cada vez mais a BIM. A BIM promove análise de compatibilização prévia. O bom projeto é muito importante”, disse, lembrando que os projetos têm um tempo longo para sua conclusão, levando até um ano e dois meses para sua conclusão. “Quanto mais complexa for a obra, mais importante é o gerenciamento. Temos que gastar tempo no que é importante”, disse.

Gustavo Jose Kuster Albuquerque, pesquisador tecnologista da diretoria de avaliação da conformidade do Inmetro, contou que o instituto atua onde não há uma regulamentação definida. “A parte mais importante da regulamentação é tornar públicas todas as demandas de regulamento. Nos anos 2000 tínhamos 22 regulamentações públicas, em 2016 chegamos a 195, que impactam mais de 4.000 produtos. Além disso, existem hoje no mercado 1 milhão de modelos de produtos com selo de conformidade do Inmetro”, contou, lembrando que tudo isso existe e está ligado ao interesse e exigência do consumidor com a marca.

“O programa brasileiro de etiquetagem combate a assimetria de informação entre consumidor e fornecedores”, completou.

A etiquetagem, ainda segundo Albuquerque, avalia características do prédio como corrente do vento, sistema de ventilação, refrigeração, consumo de água e gás.  “O projeto, ao ser submetido, recebe uma etiqueta do Inmetro. Após o projeto ser executado, pode piorar ou melhorar a classificação da etiquetagem. Temos hoje 209 etiquetagens públicas e 4.531 etiquetagens residenciais”, alerta.

José Jorge Chaguri Jr, presidente da Associação Brasileira pela Conformidade e Eficiência das Instalações (Abrinstal), alertou sobre a relevância do BIP (Building Installations Performance) ser incorporado dentro do processo. “Não basta ter um bom projeto e não saber o que ele vai apresentar lá na frente”, argumentou.

Segundo Chaguri é preciso existir interação entre a instaladora e o projetista. “Não adianta conceber um projeto se não sabe executar. Quem adquire o produto, componente e aplica é a instaladora. Quem treina a mão de obra também é a instaladora. Nosso grande desafio é entender qual a demanda do usuário. A expectativa vendida precisa estar alinhada à do usuário. Só qualificar a mão de obra não é suficiente”, apontou.

Aumentar o nível de segurança das habitações, reduzir a quantidade de patologias prediais, fomentar o aumento de produtividade do setor, capturar boas práticas no ambiente internacional são outros desafios também apresentados por Chaguri durante o evento. “A Bim tem aumentado o grau de controle dos projetos. Estamos trabalhando na busca de indicadores do mercado para buscar ações para que o problema não ocorra mais”.

Por fim, Arnaldo Lopes Parra, vice-presidente de marketing e comunicação da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, abordou o Plano de Manutenção Operação e Controle (PMOC), que está em vigor desde janeiro pela lei federal 13.589/18. Visando garantir a qualidade do ambiente e preservar a saúde e bem-estar das pessoas, o PMOC é direcionado para proprietários, locatários e propostos, responsáveis por sistema de climatização com capacidade acima de 60.000 BTU. “Dessa forma, todos os edifícios públicos ou privados, a partir de agora, serão obrigados a fazer a manutenção de seus sistemas de ar condicionado. A falta de manutenção do ar condicionado pode incorrer em autuação de R$ 30.000”, alertou.