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Workshop debate cidades inteligentes na Fiesp

Evento “A Infraestrutura do Amanhã” foi realizado nesta quarta-feira (24/10), na sede da federação, em São Paulo

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado, nesta quarta-feira (24/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o workshop “A Infraestrutura do Amanhã”. O evento foi organizado pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da federação em parceria com entidades como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

O primeiro painel de debates foi sobre a “Conectividade para as cidades inteligentes”, tendo sido moderado pelo diretor de Telecomunicações do Deinfra, Marcelo Ehalt.

Ehalt destacou que seremos quase 10 bilhões de pessoas no mundo em 2050.  Nesse período, o Brasil deve ser a quinta maior economia do mundo. “Em 2021 teremos 83% da população conectada”, disse. “Hoje já são mais de 200 milhões de dispositivos móveis em funcionamento no país”, afirmou. “O Governo Federal já oferece 1.700 serviços públicos digitais”.

E tem mais: em até dois anos, a internet das coisas estará presente em 95% dos eletrônicos. “Já somos cidadãos digitais que querem viver em cidades inteligentes e conectadas”, disse Ehalt.

Como exemplo dessa conexão, ele citou as redes wi-fi do Recife, em Pernambuco, e os semáforos inteligentes de São Paulo, entre outros.

Entre os fatores de risco nesse cenário, Ehalt lembrou que mais da metade dos ataques cibernéticos registrados no mundo geram prejuízos superiores a US$ 500 mil.

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Ehalt: “Já somos cidadãos digitais que querem viver em cidades inteligentes e conectadas”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Diretor do departamento de Inclusão Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Américo Bernardes trabalha com projetos de cidades digitais desde 2004.

Ele citou pesquisas que dizem que apenas 34% das prefeituras do Nordeste têm departamento de tecnologia da informação. O percentual é de 43% no Norte, 49% no Sudeste, 45% no Sul e 48% no Centro Oeste. “Somente 18% das prefeituras brasileiras declaram possuir projeto ou plano de cidade inteligente”, afirmou. “Muitas decisões são tomadas de forma intuitiva, sem análise de dados”.

De acordo com Bernardes, o programa Cidades Inteligentes, do governo brasileiro, está inserido na Política Nacional de Telecomunicações, envolvendo pontos como a expansão das redes de transporte, a ampliação das coberturas 4G e 3G e a expansão das redes de acesso de alta capacidade. “Melhorar a conectividade é fundamental”, disse.

Entre os eixos de ação para as cidades digitais, conforme Bernardes, está a implantação de uma rede de alta capacidade, com infraestruturas inteligentes, nos municípios. “Temos perto de 150 cidades com essas redes implantadas”, disse.

Para dar andamento a esse trabalho, é preciso lidar com questões como as redes físicas aéreas, em postes, com tudo amontoado e sem um trabalho organizado de compartilhamento de estruturas. “Implantar uma antena em São Paulo é um problema enorme”.

Segundo ele, as redes inteligentes de iluminação pública são outro ponto fundamental desse processo.

Para ajudar os cidadãos

Engenheiro de projetos na NEC Latin America, Reginaldo Murata destacou que é preciso ampliar o debate, com uma plataforma de inovação aberta para o compartilhamento de experiências. “Redes e data centers precisam ser unificados”, disse. “As prefeituras precisam ter as suas bases de dados unificadas, o que pode ajudar muito os cidadãos”, explicou. “Assim será possível entender o que acontece em cada região e organizar melhor todas as ações”.

Outra ideia nessa linha é a criação de um Centro de Comando e Controle Integrado nos municípios. “De modo que seja possível acionar a polícia, os bombeiros e os médicos num comando só”, explicou.

Nessa linha, outro foco é “usar a inteligência em prol da segurança”. “Como os sistemas de ultra resolução e leitura inteligente para identificar placas de carro, por exemplo”.

Diretor de Projetos na consultoria Spin Soluções Públicas Inteligentes, Vitor Antunes lembrou que a oferta de serviços privados aos cidadãos tem sido remodelada a cada dia por conta da tecnologia. E que a velocidade da mudança não é a mesma com os serviços públicos.

Ele destacou a mobilidade integrada com a segurança pública. E o advento da internet das coisas e do chamado big data, com a tomada de decisões mais assertiva a partir da análise de dados. “É a loja que sabe que a cliente está grávida antes dela mesma, só ao analisar as buscas que ela faz no Google”, disse.

De acordo com Antunes, cidade inteligente é aquela que melhora o atendimento às suas demandas públicas por meio de tecnologias avançadas. Dentro desse debate, já existe o conceito de plano diretor para a cidade inteligente, com diretrizes que apontam soluções para o fim dos mandatos dos prefeitos, evitando problemas de continuidade. “As smart cities devem ser parte de uma política de estado, não de governo”.

No Brasil, segundo Antunes, Juazeiro do Norte, no Ceará, foi a primeira cidade a adotar um plano diretor específico de cidade inteligente.

Segurança integrada

Executivo da consultoria Lidera, Tácito Leite disse que trabalha com segurança há vinte anos. E apontou a convergência entre as ações de segurança patrimonial e digital. “Temos que diminuir as incertezas, seja de que âmbito for”, disse. “O acompanhamento tem que ser diário”.

Falando especificamente do setor elétrico, ele destacou a automatização da rede, os detectores de falha automáticos, os medidores inteligentes e o uso de drones na manutenção, entre outros pontos. “Na Espanha, por exemplo, existe uma estratégia de segurança energética nacional”, disse.

Segundo Leite, o Brasil é o quinto país com custo médio por empresa relacionado à ataque cibernético. Um contexto no qual é preciso investir em ações como inteligência artificial em cibersegurança e vigilância digital.

Logística

Na segunda parte do workshop, o assunto foi Inovação e Logística 4.0.

Um dos temas de Luiz Gustavo Ferreira, da IBM, foi segurança alimentar. Deu como exemplo a retirada do espinafre das prateleiras de supermercados norte-americanos até que se descobrisse que era algo muito localizado. Houve outros exemplos – como os problemas da Carne Fraca. Nesses casos o processo é caro e moroso. Em 2016 o WalMart convidou a IBM para fazer uma solução de blockchain para rastreabilidade e segurança ambiental para carne de porco.

A segurança da identidade digital tem sido mais buscada, e Ferreira deu exemplo de uso do blockchain, com ganhos em privacidade. Em logística, um caso apresentado foi da Maersk, com uma solução que permite ganho de eficiência de 95%.

O blockchain, disse, traz maior agilidade, reduz custos e risco e aumenta a confiabilidade.

Sergio Belchior, gerente de vendas da Kion, grupo que passou a oferecer soluções de automação. A indústria 4.0 pauta a preparação do grupo para 2027. Exibiu vídeos demonstrando fases de automação de armazenagem. Entre os ganhos estão redução de manutenção e diminuição de acidentes.

Gabriel Drummon, cofundador e COO da Intelipost, plataforma de gestão de carga, explicou que ela ajuda a reduzir custos e aumentar a eficiência da logística. O blockchain é uma das soluções para transformação desse mercado, que se sofistica e passa a envolver muitos players. A integração via blockchain vai simplificar a ligação entre eles. Ainda há obstáculos ao blockchain, explicou, como o retorno sobre o investimento, mas é o futuro.

Leandro Bassoi, diretor do Mercado de Envios, do Mercado Livre, mostrou como exemplo de inovação em logística a criação de um algoritmo para apresentar aos clientes estimativa de entrega. Também estão em teste equipamentos autônomos de movimentação de carga. Veículos elétricos começaram a ser avaliados para uso na Grande São Paulo, com a previsão de aumento da frota em 2019 e uso também de caminhões elétricos para pequenos trajetos.

Em relação à energia, outra iniciativa do Mercado Livre é a geração de eletricidade de fonte fotovoltaica, com a meta de autossuficiência.

O Brasil tem tempo de entrega no e-commerce mais alto que por exemplo na China, nos Estados Unidos e mesmo no México. Há outros problemas fiscais e burocráticos em relação a outros países, disse. “Estamos alguns passos atrás.”

Também participou do workshop Harry Westfahl Junior, diretor científico do Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), que destacou a importância da automação. Muita coisa, em recursos humanos e materiais, pode ser feita no Brasil, disse. O próprio laboratório sofre com gargalos logísticos.