‘Vamos oferecer mais alternativas’, diz presidente do BNDES em evento na Fiesp

Seminário Desafios e Oportunidades do BNDES teve a presença de Dyogo Oliveira, que falou sobre os planos do banco em relação às taxas de juros e aos prazos de financiamento

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”. A boa notícia foi dada pelo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, na abertura do seminário Desafios e Oportunidades do BNDES para o crédito, realizado na manhã desta sexta-feira (18/05), no Teatro do Sesi, no prédio da Fiesp, em São Paulo. O debate teve a participação do segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho e do diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da federação, Sylvio Gomide.

“Nossa economia está em estado grave, mas nós estamos pensando nas ações certas e numa postura de transparência e diálogo”, disse Oliveira. “Vamos entrar numa nova era: a era dos juros baixos”.

Para o presidente do BNDES, as empresas vivem hoje “um processo de desalavancagem”. “Sabemos da necessidade de melhoria das condições de financiamento”, disse. “Estamos fazendo a digitalização do banco, que vai ser mais ágil e mais flexível”, explicou. “Vamos oferecer mais alternativas”.

Oliveira citou como exemplo uma linha com taxa fixa de 10% ao ano, segundo ele algo sem “semelhante no mercado”. “Temos o BNDES Garagem, para investir em jovens promessas, empreendedores com boas ideias”.

Segundo ele, é importante lembrar que as linhas tradicionais do banco “continuam disponíveis”. “Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”, disse. “Não se assustem se o BNDES ligar para vocês para oferecer alguma oportunidade”, afirmou. “Estamos montando uma ação pró-ativa nesse sentido”.

Outro alvo da atenção do banco, conforme Oliveira, envolve os prazos de financiamento. ”O nosso prazo de financiamento à inovação foi ampliado de 12 para 20 anos”, disse. “Estamos sempre pensando na ampliação dos prazos para não comprometer o fluxo de caixa das empresas”.

Na sequência, Roriz Coelho apresentou a “Pesquisa sobre acesso ao BNDES”, realizada pela Fiesp e feita com 500 indústrias no estado.

“A indústria é um setor crucial para a economia”, disse. “A estimativa é a de que 1% de crescimento na manufatura responda por 1,1% de crescimento na economia”.

Além disso, o setor é o que mais produz e difunde inovações, respondendo por 70% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento no setor privado.

Mesmo diante de tanto potencial, o ambiente de negócios é desfavorável para as indústrias. “O Brasil está em primeiro lugar no ranking das maiores taxas de juros reais, spread bancário, volatilidade cambial e burocracia tributária, entre outras variáveis”, disse.

Já o chamado “custo Brasil” responde por 26,5% do total do preço dos produtos.

“Entre 1995 e 2016 a indústria chegou a representar apenas 11,9% do PIB brasileiro”, disse Roriz Coelho. “A maior queda entre os  20 países com  mais de 40 milhões de habitantes que juntos representam 76% do PIB mundial”.

E as perspectivas não são mais otimistas a curto prazo. “O PIB brasileiro deve crescer menos de 3% em 2018”, afirmou. “Temos um cenário de Incerteza política, um lento aumento de crédito acompanhado de uma pequena redução da taxa de juros, o desemprego elevado”.

Assim, de acordo com a pesquisa, 49% das médias empresas industriais nem tentaram operar com o BNDES.

“Alguns países têm políticas ambiciosas para o desenvolvimento da indústria 4.0, como França, Alemanha, Estados Unidos”, explicou Roriz Coelho. “No Brasil, investir não dá retorno”.

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