imagem google

Três anos após desastre de Mariana, indignação continua necessária

Fundação Renova pela terceira vez recusa convite para discutir o assunto na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Os efeitos sobre o ambiente do vazamento de resíduos de mineração no rio Doce foram tema de reunião nesta terça-feira (25 de setembro) do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Para falar sobre O Desastre de Mariana – situação atual 3 anos depois” compareceram Maria Dalce Ricas, superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), e Ricardo Alcântara Valory, diretor geral da Agência de Água da Bacia do Rio Doce – Instituto BioAtlântica (IBio).

Ao fazer a introdução do assunto, Walter Lazzarini, presidente do Cosema, explicou a ausência na reunião da Fundação Renova, que havia sido convidada e alegou impossibilidade de enviar representante na data. Foi a terceira recusa da Fundação Renova a participar de debates sobre o tema na Fiesp.

Lazzarini comentou em relação à Renova que se desconhece o que tem sido feito. A impressão é que o trabalho não é bom. “O desastre foi uma barbaridade. A sociedade tem que se indignar.” Não pode haver desculpas para não agir em relação às pessoas afetadas, afirmou. “Não vejo uma ação da Renova que seja palpável, que seja concreta.”

A Fundação Renova foi criada em 2016 para ser responsável pela gestão dos programas de reparação, restauração e reconstrução das regiões impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco Mineração, ocorrido em novembro de 2015. O desastre provocou a morte de 19 pessoas.

A bacia do rio Doce

Havia uma seca terrível em 2015, iniciada em 2014, na bacia do rio Doce quando houve o rompimento da barragem de Mariana. O impacto foi terrível, lembrou Valory, com praticamente a calha inteira do rio recebendo sedimentos, que chegaram ao mar. Comunidades indígenas e produtores rurais foram afetados. Sistemas de captação de água tiveram que suspender a operação no rio.

São cerca de 87.000 km quadrados da bacia, com extensão principal do rio de 879 km. Quase 3,5 milhões de pessoas vivem em sua área. Esgotos domésticos –diversos municípios não fazem tratamento- e erosão e assoreamento são os principais problemas relacionados à gestão dos recursos hídricos na bacia do rio Doce, disse Valory.

O IBio, responsável pela gestão do rio, prioriza áreas que totalizam 15.900 km², porque seus problemas são mais críticos. Há um plano de aplicação plurianual, que no período de 2016 a 2020 prioriza ações de adequação ambiental, por meio do plano Rio Vivo, que inclui programas de recomposição de APPs e nascentes, controle das atividades geradoras de sedimentos e expansão do saneamento rural.

Entre as iniciativas de destaque descritas por Valory está o Programa de Incentivo ao Uso Racional de Água na Agricultura.

São objetivos do Rio Vivo a revitalização dos corpos de água, o aumento da quantidade e a melhoria da qualidade da água. “Precisamos de fortalecimento do sistema da bacia”, afirmou. Melhorou o relacionamento com a Renova, segundo Valory. Ainda há muita insegurança em relação à água na região entre a população, disse. “Precisamos recuperar este grande dano.”

O excesso de sedimentos dispersos após o desastre provocou entre outros efeitos a mortandade de peixes, pelo turvamento da água e deposição nas guelras. Passados 3 anos, há muito peixe, e a pesca voltou, disse, mas ainda há receio de consumir o produto.

Agência Indusnet Fiesp Os efeitos sobre o ambiente do vazamento de resíduos de mineração no rio Doce foram tema de reunião nesta terça-feira (25 de setembro) do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema). Para falar sobre “O Desastre de Mariana – situação atual 3 anos depois” compareceram Maria Dalce Ricas, superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), e Ricardo Alcântara Valory, diretor geral da Agência de Água da Bacia do Rio Doce – Instituto BioAtlântica (IBio). Ao fazer a introdução do assunto, Walter Lazzarini, presidente do Cosema, explicou a ausência na reunião da Fundação Renova, que havia sido convidada e alegou impossibilidade de enviar representante na data. Foi a terceira recusa da Fundação Renova a participar de debates sobre o tema na Fiesp. Lazzarini comentou em relação à Renova que se desconhece o que tem sido feito. A impressão é que o trabalho não é bom. “O desastre foi uma barbaridade. A sociedade tem que se indignar.” Não pode haver desculpas para não agir em relação às pessoas afetadas, afirmou. “Não vejo uma ação da Renova que seja palpável, que seja concreta.” A Fundação Renova foi criada em 2016 para ser responsável pela gestão dos programas de reparação, restauração e reconstrução das regiões impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco Mineração, ocorrido em novembro de 2015. O desastre provocou a morte de 19 pessoas. A bacia do rio Doce Havia uma seca terrível em 2015, iniciada em 2014, na bacia do rio Doce quando houve o rompimento da barragem de Mariana. O impacto foi terrível, lembrou Valory, com praticamente a calha inteira do rio recebendo sedimentos, que chegaram ao mar. Comunidades indígenas e produtores rurais foram afetados. Sistemas de captação de água tiveram que suspender a operação no rio. São cerca de 87.000 km quadrados da bacia, com extensão principal do rio de 879 km. Quase 3,5 milhões de pessoas vivem em sua área. Esgotos domésticos –diversos municípios não fazem tratamento- e erosão e assoreamento são os principais problemas relacionados à gestão dos recursos hídricos na bacia do rio Doce, disse Valory. O IBio, responsável pela gestão do rio, prioriza áreas que totalizam 15.900 km², porque seus problemas são mais críticos. Há um plano de aplicação plurianual, que no período de 2016 a 2020 prioriza ações de adequação ambiental, por meio do plano Rio Vivo, que inclui programas de recomposição de APPs e nascentes, controle das atividades geradoras de sedimentos e expansão do saneamento rural. Entre as iniciativas de destaque descritas por Valory está o Programa de Incentivo ao Uso Racional de Água na Agricultura. São objetivos do Rio Vivo a revitalização dos corpos de água, o aumento da quantidade e a melhoria da qualidade da água. “Precisamos de fortalecimento do sistema da bacia”, afirmou. Melhorou o relacionamento com a Renova, segundo Valory. Ainda há muita insegurança em relação à água na região entre a população, disse. “Precisamos recuperar este grande dano.” O excesso de sedimentos dispersos após o desastre provocou entre outros efeitos a mortandade de peixes, pelo turvamento da água e deposição nas guelras. Passados 3 anos, há muito peixe, e a pesca voltou, disse, mas ainda há receio de consumir o produto. Maria Dalce Ricas, da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, fundada em 1978, destacou a existência de grande área de pastagens degradadas na bacia do rio Doce. Somente 3% delas foram consideradas não degradadas em 2015. Há mais de 1 milhão de hectares de pastagens fortemente degradadas, que constantemente provocam o carreamento de sedimentos para os rios. O desastre de Mariana, tragédia imperdoável provocada pela Samarco, agravou o estado do rio Doce, que já estava quase morto, destacou. Não se aproveitou a lição, disse Ricas, e fica mantido na população o entendimento maniqueísta e parcial de que principalmente as grandes empresas são responsáveis pela degradação ambiental no país e que o Estado não fiscaliza. E aumentou o estigma da mineração de ouro e de ferro. “Sou contra a mineração malfeita, mas não consigo ser contra a mineração”, afirmou, lembrando a grande necessidade por ferro. Em relação à área atingida na bacia, a superintendente da AMDA disse que acredita no trabalho da Renova. As sequelas emocionais na população afetada não serão facilmente superadas, mas deve haver recuperação ambiental e econômica.

Reunião do Cosema, da Fiesp, que teve como tema o desastre de Mariana. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Maria Dalce Ricas, da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, fundada em 1978, destacou a existência de grande área de pastagens degradadas na bacia do rio Doce. Somente 3% delas foram consideradas não degradadas em 2015. Há mais de 1 milhão de hectares de pastagens fortemente degradadas, que constantemente provocam o carreamento de sedimentos para os rios. O desastre de Mariana, tragédia imperdoável provocada pela Samarco, agravou o estado do rio Doce, que já estava quase morto, destacou.

Não se aproveitou a lição, disse Ricas, e fica mantido na população o entendimento maniqueísta e parcial de que principalmente as grandes empresas são responsáveis pela degradação ambiental no país e que o Estado não fiscaliza. E aumentou o estigma da mineração de ouro e de ferro. “Sou contra a mineração malfeita, mas não consigo ser contra a mineração”, afirmou, lembrando a grande necessidade por ferro.

Em relação à área atingida na bacia, a superintendente da AMDA disse que acredita no trabalho da Renova. As sequelas emocionais na população afetada não serão facilmente superadas, mas deve haver recuperação ambiental e econômica.