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‘Temos que ter consciência do nosso potencial’, afirma diretor do Banco Central

Luiz Awazu Pereira de Oliveira analisou o ambiente global e as oportunidades para o Brasil no Seminário Sobeet

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para avaliar as expectativas do ambiente macroeconômico global em um contexto de redução do PIB mundial, o diretor de assuntos internacionais e de gestão de riscos corporativos do Banco Central (Bacen), Luiz Awazu Pereira da Silva, foi um dos palestrantes do Seminário da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), nesta sexta-feira (22/08).

O evento foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a palestra teve a mediação de Octavio de Barros, economista chefe do Bradesco/Câmara de Comércio Brasil França (CCFB)/Conselho Empresarial Brasil China (CEBC).

Segundo Awazu, sua proposta é apresentar uma visão realista da questão, sem excesso de euforia, mas também sem pessimismo. “O Brasil é um país extremamente maduro, do ponto de vista institucional. Sabemos encarar nossos desafios sem desanimar e podemos também valorizar alguns dos nossos êxitos sem cair na complacência”, afirmou.

O diretor do Bacen traçou um panorama da economia global, além de uma análise mais específica em relação aos países emergentes. “Sabemos que a economia global está em situação de recuperação apenas gradual e assincrônica entre os três grandes do mundo: Estados Unidos, a zona do euro e o Japão, com os Estados Unidos um pouco na frente”, avaliou.

Awazu: desaceleração das perspectivas de crescimento. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Awazu: desaceleração das perspectivas de crescimento. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


“Do lado dos países emergentes, podemos dizer que a situação mais dramática prevista, o perfect storm, não aconteceu. Mas houve uma desaceleração das perspectivas de crescimento em muitos desses países.”

Centro regional

Sobre o Brasil, Awazu considera que o país tem potencial para servir de centro regional de produção e ser um grande receptor de investimento estrangeiro direto. “Em um quadro complexo para a economia global e para os países emergentes, o Brasil tem atuado com pragmatismo. Temos que ter consciência do nosso potencial em termos de produtividade e crescimento, porque temos coisas factíveis de serem implementadas que podem nos trazer um crescimento mais robusto”, afirmou.

Lembrando a capa da revista The Economist que mostrava o Cristo Redentor decolando como um foguete, o economista reforça que havia um excesso de euforia e iria haver altos e baixos com a relação do Brasil com mercados financeiros, mas que o país foi prudente.

Para comprovar isso, o diretor do Bacen citou a manutenção da taxa de câmbio, a adoção de medidas preventivas, a manutenção de níveis sólidos de capital, além das medidas de política monetária adotadas para controlar pressões inflacionárias e implementação do, bem sucedido, programa de leilões cambiais.

“Temos um quadro econômico global ainda complexo, mas de recuperação gradual. Precisamos estar atentos às oportunidades, mas sem ficar refém dos dados de alta frequência, de curto prazo, que vão criar volatibilidade e excesso de pessimismo ou euforia”, alerta.

Segundo ele, o Brasil sofreu com a crise, mas soube reagir. “Mantivemos nossa estabilidade macrofinanceira, continuamos recebendo investimentos diretos, temos uma estratégia clara de desenvolvimento de aumento de produtividade, com investimento em infraestrutura e capital humano”, disse.

“Precisamos reconhecer que temos desafios como todos os países, mas estamos, em muitos aspectos, como concessão, infraestrutura, investimento, programa de educação. E isso com a determinação de manter a nossa estabilidade social, institucional e, obviamente, macroeconômica.”