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Telecom precisa de investimentos públicos e privados, afirmam especialistas durante workshop na Fiesp

Participantes propõem também modernização do marco regulatório

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Representantes do governo e especialistas da área de telecomunicações estiveram, na manhã desta sexta-feira (15/5), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir a regulamentação do setor. Durante três horas de debates, todos concordaram: o setor está carente de investimentos públicos e privados e de um modelo regulatório mais moderno, condizente com o mercado atual.

Em maio o Brasil atingiu 207 milhões de acesso à banda larga. No último ano, 97% do acesso à internet foi realizada via dispositivo móvel. Em um único dia, o Ministério das Comunicações registrou mais de 6 milhões de acessos à rede 4G. “O tráfego de rede vem crescendo 57% ao ano, sem tendência de redução e com certeza absoluta de aumento”, afirma o diretor executivo da SinditeleBrasil, Carlos Duprat. “Os investimentos da iniciativa privada cresceram 25% da receita líquida, chegando a quase R$ 30 bilhões, sem contar os valores envolvidos em leilões. Mas eu me pergunto até quando conseguiremos sustentar isso.”

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Seminário de telecomunicações na Fiesp debate investimentos no setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Duprat alega que faltam políticas públicas adequadas, que estimulem ainda mais os investimentos e que a contrapartida do governo – em suas diversas esferas – deixa a desejar.

“Existe um distanciamento muito forte entre a política pública que o governo pratica e aquilo que a população quer. O cidadão reclama que seu celular não funciona nas estradas ou na garagem do prédio, mas não sabe que o problema não está na operadora e sim na falta de antenas”, explica, mencionando a dificuldade que as empresas têm de conseguir licenças para instalar os equipamentos em algumas cidades. “Em São Paulo, por exemplo, eu realmente não sei como ainda funciona [os celulares]. Sem antenas, não tem serviço e se o cara [prefeito] não nos deixa instalá-las, o paulistano está convivendo com um serviço que seu prefeito está permitindo. A culpa não é do setor privado.”

Gilberto Sotto Mayor Júnior, diretor de regulação da NET, defende que o preço pago pelos consumidores caiu para cerca de um terço nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a velocidade de dados aumentou. No entanto, ressalta que também é preciso ver o lado econômico financeiro das operadoras, que não irão investir em negócios sem rentabilidade.

Ele dividiu o país em três mercados: muito atrativo, em cidades com renda per capita e população elevadas; medianamente atrativo, em cidades com pouco acessos, mas economicamente viável porque tem chances de penetração; pouco atrativo, com penetração próximo de zero.

“Neste último exemplo, o empresário não irá investir porque não é rentável. Precisaria de financiamento público. Logo, a responsabilidade do governo é grande.”

Além disso, empresários do setor alegam sofrer também com o excesso de regras impostas para quem quer aplicar capital. “Para fazer um serviço chegar até vocês, o investidor deve ser irresponsável”, revela João Moura, presidente executivo da Telcomp. “Irresponsável porque precisa escolher quais regras vai quebrar, pois se ele tentar cumprir 70 ou 80% das regras que estão vigor, ele desiste do aporte.”

Única representante do governo presente no worskhop, Miriam Wimmer, diretora do Departamento de Serviços e de Universalização de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, fez um breve resumo sobre todas as ações que o governo tem feito para o setor, confirmou que a infraestrutura atual não irá aguentar o aumento de acessos previsto e que a velocidade de transmissão de dados está “muito abaixo de outros países sul-americanos”.

“Confiamos nos investimentos das empresas. Temos um cenário de grande expansão graças a isso. Mas também temos consciência de que se o governo não entrar com sua parte não conseguiremos ultrapassar as barreiras que enfrentamos hoje. E é preciso discutir, agora, o que irá acontecer nos próximos dez anos.”

O workshop “Regulação das Telecomunicações” foi mediado pela diretora de telecomunicações do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, Flávia Lefèvre Guimarães.