imagem google

Supervalorização do real é uma das ameaças para a indústria brasileira de petróleo, afirma representante do Competro Fiesp

Membros de diversas instituições da indústria se reuniram em evento na Universidade de São Paulo para discutir desafios do setor

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp 

Representantes do setor do Petróleo e Gás participaram na sexta-feira (12/04) do seminário “Perspectivas, Oportunidades e Exigências de Petróleo e Gás”, na Universidade de São Paulo (USP).

O evento, realizado pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em parceria com a Agencia USP de Inovação e do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP (PGT/USP), faz parte do calendário de atividades do programa de capacitação do Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação na Cadeia de Petróleo e Gás Paulista (NAGI PG).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542738565

Oportunidades e exigências do setor de petróleo e gás. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Alberto Machado, diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), apontou algumas preocupações do setor, como uma engenharia naval defasada, competitividade baixa e matérias primas caríssimas. Entretanto, segundo ele, há também vantagens competitivas. “Nosso parque industrial está instalado, temos bom desenvolvimento tecnológico e capacitação gerencial”, afirmou.

Machado, que também membro do Comitê da Cadeia de Petróleo e Gás (Competro) da Fiesp, enfatizou que a maior ameaça para a indústria nacional do petróleo é a supervalorização do real.

O subsecretário de Petróleo e Gás da secretaria de Energia do Estado de São Paulo, Ubirajara Campos,  afirmou que sua pasta pretende criar e promover ações para aumentar a participação do Estado no setor, desenvolvendo capacidades de grupos fornecedores.

Ele destacou que a modernização do porto de Santos é fundamental para dar conta da produção. “O investimento total que faremos no estado é de 78 bilhões de dólares entre 2010 e 2025. Ou seja, um investimento de grande escala, por um longo período. Enfrentamos um problema, que é o gap entre a demanda e a oferta. Estamos trabalhando para fazer com que a oferta alcance a demanda. Nosso objetivo é fazer do Estado de São Paulo uma referência no setor de Petróleo e Gás”, disse Campos.

Importância do Programa NAGI PG

O professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, Moacir de Miranda Oliveira Junior, na abertura do evento, falou das expectativas em relação ao Programa NAGI PG, uma iniciativa da Fiesp, Ciesp e Universidade de São Paulo (USP).

“Temos muitos objetivos com o programa. Entre eles, pretendemos sensibilizar as empresas do setor do Petróleo e Gás para a importância da inovação como vantagem competitiva no setor. Capacitar as empresas a conhecer a inovação. E identificar e angariar fontes potenciais de financiamento e fomento para os projetos. No fim, queremos ajudar as empresas a dar um salto na inovação de seus processos. Inicialmente pretendemos auxiliar em torno de 200 a 400 empresas, no Estado de São Paulo”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542738565

Eduardo Berkovitz, membro do Competro e diretor do Decomtec da Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Eduardo Berkovitz, membro do Competro e diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, frisou a importância da articulação entre os setores público e privado para aproveitar no tempo correto as oportunidades de investimentos anunciadas pelo setor.

“O Competro nasceu há um ano e quatro meses com a meta de maximizar as oportunidades da cadeia do Petróleo e Gás em São Paulo e no país. E o NAGI PG é um dos nossos projetos. Queremos formar facilitadores para conversar com as empresas da área, para interagir e desdobrar o projeto nas empresas”, assinalou o diretor da Fiesp.

“Este encontro é um momento importante de aprendizado e de troca de informação entre os vários atores ligados à indústria de Petróleo e Gás. É preciso promover a rápida articulação entre as instituições que defendem o setor, atraindo investimentos e infraestrutura adequada que assegure oportunidades para a indústria nacional no tempo certo”, acrescentou Berkovitz.