Sul-africanos pedem aproximação com Brasil em visita à Fiesp

Delegação destaca similaridades entre economias e oportunidades de negócios

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A fim de promover uma cooperação mais intensa entre o Brasil e a África do Sul, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) recebeu em 8 de junho uma delegação sul-africana para identificar novas oportunidades de intercâmbio.

Segundo o diretor titular adjunto do Derex Newton de Mello, ambos os países possuem raízes multiculturais fortes e mais pontos em comum do que divergências, o que facilita a perspectiva de novos acordos.

Na visão do embaixador da África do Sul no Brasil, Ntshikiwane Mashimbye, é importante que as duas economias encontrem negócios de benefício mútuo. “Já temos uma boa interação com brasileiros, seja para estudos ou turismo; temos em comum nações bonitas e vibrantes. Além disso, a África do Sul é a economia mais sofisticada de seu continente, sabemos que podemos oferecer parcerias interessantes e queremos estar mais próximos”, afirmou.

O diretor titular adjunto do Derex Antonio Fernando Bessa, por sua vez, apresentou os dados econômicos brasileiros dos últimos anos, destacando as preocupações da Fiesp com uma agenda de integração regional consistente.

Do Ministério da Agricultura da província de Northern Cape, a mais extensa de sua região, Norman Shushu elencou seus principais setores industriais. São mineração, fabricação e desenvolvimento de equipamentos automotivos, desenvolvimento de cidades e processamento agropecuário focado em segurança alimentar no longo prazo, conectando os produtores e os mercados, por exemplo.

Já Saki Zamxaka, da agência de desenvolvimento da província de Gauteng, falou da possibilidade da África do Sul usar serviços e companhias brasileiras como um complemento para sua indústria. Nesse sentido, o gerente de relações institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Casemiro Taleikis, introduziu representantes de mais dez empresas brasileiras do segmento de maquinário agrícola, interessadas em obter novas oportunidades de negócios com o país.

Para além dos acordos comerciais, o diretor de Relações Externas do Senai-SP, Roberto Spada, detalhou as experiências de cooperação técnica do serviço de formação profissionalizante da indústria no exterior. De acordo com Spada, um novo projeto do Senai, desenvolvido especialmente para sul-africanos, irá receber novos alunos no Brasil para trabalhos com duração de até 10 meses.

Atualmente, a África do Sul figura como principal indústria e economia da região, é responsável por 24% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente e possui 11 línguas oficiais, com o inglês para negócios. O país também faz parte da cúpula dos países em desenvolvimento, os chamados Brics, e figura como único país africano no grupo das 20 maiores economias do mundo, o G20.


Newton de Mello: África do Sul e Brasil possuem raízes multiculturais fortes (Foto: Everton Amaro/Fiesp)