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Skaf diz a Cameron que Fiesp não defende protecionismo, mas recuperação da competitividade

Presidente da Fiesp destaca que encontro tem a finalidade de incrementar negócios bilaterais

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Em encontro reservado, na Fiesp, Paulo Skaf conversa com o primeiro-ministro britânico David Cameron


Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, revelou alguns trechos do encontro reservado em seu gabinete, na manhã desta quinta-feira (27/09), com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Skaf disse tomou a iniciativa de enfatizar que a Fiesp não tem interesse na adoção, por parte do governo brasileiro, de medidas protecionistas no comércio exterior.

“Expliquei ao primeiro-ministro [Cameron] que nós não queremos nenhum tipo de protecionismo. O que queremos aqui é a competitividade. Lutamos um ano e meio pela redução do custo da energia, pela queda do preço do gás, pelas melhorias na logística, pela redução da taxa de juros. Essa é a pauta da Fiesp. Agora, nós temos que recuperar a competitividade do Brasil. Expliquei isso”, afirmou Skaf.

De acordo com o presidente da Fiesp, Cameron disse ter ficado muito feliz com a posição da indústria e relatou estar adotando medidas na mesma direção no Reino Unido. “Nós nos afinamos em relação a esse tema.”

Em entrevista por e-mail ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira (27/09), Cameron manifestara preocupação com a medida do governo Dilma, que aprovou o aumento do imposto de importação para 100 produtos, estabelecendo uma alíquota máxima de até 25%. A lista pode subir para até 200 produtos.  Segundo Cameron disse à Folha, a medida “pode ser trazer benefícios para a indústria doméstica, mas tem custos a longo prazo e impede o desenvolvimento de uma base industrial verdadeiramente competitiva e inovadora”.

Fluxo comercial entre os dois países

Segundo Skaf, é simbólico o fato de a primeira visita oficial de David Cameron começar pela Fiesp. “É um sinal de que há interesse de que os investimentos recíprocos se incrementem”, salientou o líder da entidade, destacando que o fluxo comercial entre Brasil e Reino Unido, hoje na casa dos US$ 9 bilhões, representa um pequeno percentual do comércio exterior dos dois países, que movimentam, juntos, entre importações e exportações, uma cifra próxima de US$ 1,6 trilhão.

No encontro reservado, David Cameron manifestou intenção de fortalecer os negócios bilaterais “O Reino Unido é muito forte em serviços, infraestrutura, energia, defesa. Os ingleses têm muita coisa a oferecer. E no ano passado o Brasil investiu US$ 1 bilhão no Reino Unido”, destacou Skaf, lembrando que o País hoje é a sexta maior economia do mundo, uma posição acima da potência britânica.

“Não há negócios se não existe conhecimento. Encontros como esse existem para que as pessoas se conheçam. Há interesse, sim, de eles investirem aqui e nós investirmos lá”, concluiu o presidente da Fiesp.