Skaf cobra destravamento do crédito como medida para retomada do crescimento econômico - FIESP

Skaf cobra destravamento do crédito como medida para retomada do crescimento econômico

Presidente da Fiesp e do Ciesp cita o difícil acesso de empresas aos recursos do BNDES disponibilizados pelos bancos e diz que setor empresarial está “sufocado”

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

A retomada do crescimento econômico brasileiro passa pelo crédito.  Não a falta de crédito, mas o acesso a ele por parte do setor empresarial, em especial o de menor porte, segmento que, hoje, mais precisa de capital de giro, mas tem grandes dificuldades em conseguir financiamento rápido e a um custo razoável. Foi assim que o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, traduziu o momento por que passa o setor das MPMEs, durante o IV Seminário Finanças e Financiamento, Formas de Viabilizar o Futuro dos Negócios nas Pequenas e Médias Empresas, realizado na sede da Federação, em São Paulo, nesta quarta-feira (2 de agosto), e que teve como principal convidado o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro.

“Dinheiro tem, o BNDES tem boa vontade, mas os agentes financeiros que repassam os recursos não mostram a mesma boa vontade na hora de emprestar. Tentam emprestar ao tomador outro tipo de crédito. Neste momento em que  todos estamos sem oxigênio, sufocados, é preciso resolver esse imbróglio”, disse Skaf. Ele lembrou que o País está em uma situação anormal e em uma situação anormal, falou, é necessário ter um fundo de aval, fundo garantidor, destravar de alguma forma, porque não é nenhum segredo para todos que as empresas estão em dificuldades financeiras. “A necessidade é a mãe das invenções, portanto os técnicos da Fazenda e do Planejamento que inventem alternativas. O que não pode é elevar impostos, porque a sociedade não suporta mais”, completou.

Ressaltando a importância do assunto, o presidente da Fiesp falou do momento que considera inoportuno para se discutir a substituição da TJLP (a Taxa de Juros de Longo Prazo) nos contratos do BNDES pela  TLP (Taxa de Longo Prazo). Inoportuno não porque não seja de interesse do País, mas por considerar outros assuntos, como os 14 milhões de desempregados ou a redução da burocracia na tomada de crédito, mais prementes. “Para que essa discussão agora? É uma prioridade do Brasil?, questionou. É um assunto, disse, que merece sim ser debatido, mas não neste momento. Agora, falou, o crédito é o problema,  numa alusão ao fato de que sem ele a economia anda a passos lentos.

Sem acesso a financiamento, as empresas reduzem sua capacidade de gerar receita. Hoje, segundo o próprio BNDES, 47% das empresas não estão conseguindo gerar caixa para pagar suas despesas. A falta de crédito também trava os investimentos. Sem investimentos, o país caminha mais devagar. Estudo do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp calcula que o Brasil precise manter uma taxa de investimento  em torno de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para que a economia cresça a 5% ao ano. Ao falar em destravar o crédito e promover melhorias no acesso, o presidente da Fiesp ressaltou que não se está defendendo subsídios, mas sim isonomia.

“Como falar de um país que tem inflação de 3% ao ano e ao mesmo tempo um financiamento com recursos vindos de um banco cujo objetivo é o fomento e o desenvolvimento custando 15%, quando no mundo os juros não passam de 2% nessa mesma operação?”, questionou o empresário. “Que subsídio tem um cartão de crédito com juros de mais de 400% ao ano? Que subsídio tem a indústria, que representa 12% do PIB e paga um terço dos impostos?”, completou.

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Paulo Skaf fala sobre as dificuldades de pequenas empresas acessarem o crédito do BNDES em evento com o presidente do banco de fomento, Paulo Rabello. Foto: Ayrton Vignola

 

Milton Bogus, diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, ratificou a posição da Federação dizendo que “vivemos um período de reversão de expectativas de uma melhora na economia,  neste segundo semestre,  e uma  redução da taxa básica de juros”.  Destacou no entanto que não adianta  reduzir a Selic se essa redução proporcional  não chegar aos juros e spreads cobrados  pelos agentes financeiros  na tomada de recursos  pelas empresas, uma vez que, segundo ele, “os juros continuam estratosféricos e os empresários das pequenas e médias empresas  aceitam pagar por falta de acesso a outras opções de financiamento”.

Em resposta à colocação de Skaf e Bogus, Paulo Rabello de Castro falou do compromisso do banco hoje com a retomada do desenvolvimento, sua preocupação com os juros elevados do crédito e da necessidade de as empresas terem maior acesso aos recursos. Nessa linha de raciocínio, ressaltou a importância do BNDES Online, o canal batizado de Desenvolvedor MPME lançado, no final de junho, para pequenas e médias empresas solicitarem crédito de forma mais rápida.

Segundo o presidente do BNDES, essa é uma das mudanças que o banco pensou para esse segmento,  que ganha representatividade dentro dos recursos liberados pela instituição. “Em 2015, de tudo o que o banco emprestou, 27% foram para as  MPMEs. Em 2016, a representatividade desse segmento saltou para 31% e no primeiro semestre deste ano, segundo Rabello, chegou a 40%. “O banco está apostando nesse público, são operações mais custosas, mas temos por desafio viabilizar esse processo facilitando a vida desses clientes que foram abandonados pela macroeconomia e pelas condições difíceis impostas pela alta burocracia”, disse Rabello, lembrando que o banco foi criado para ser o instrumento do desenvolvimento do país e que os números são importantes porque mostram que, diferentemente do estigma que ganhou, o BNDES não é um banco do grande empresário.

Em apenas um mês de funcionamento, o canal online do BNDES já resultou em mais de 20 mil pedidos de pequenos e microempresários a bancos. “Queremos estar próximos desse desenvolvedor anônimo. Acabou a conversa de que o BNDES não tem determinada linha, cortamos essa dificuldade de relacionamento que existia entre o banco e o tomador. A ferramenta dispensa a ida ao banco. Agora basta acessar o computador”, diz Rabello.

Para selar seu compromisso com a retomada, o BNDES assinou, durante o evento desta quarta-feira, um acordo de cooperação com a Fiesp visando a divulgação permanente e atualizada das políticas e formas de atuação do BNDES para a promoção do acesso das MPMEs do Estado de São Paulo às linhas do banco. Também haverá troca de informações de forma a alinhar e ajustar as políticas de operação e processos do BNDES com foco nas MPMEs.

Outro convênio foi assinado na mesma ocasião entre a Fiesp e a Desenvolve SP, instituição financeira do governo do Estado de São Paulo voltada ao financiamento de pequenas empresas. “Nosso objetivo é reiterar a disposição da Desenvolve SP de apoiar as empresas paulistas por meio de financiamento de longo prazo e juros reduzidos, disse Julio Themes, diretor de Fomento e Crédito da Desenvolve SP. Segundo Themes, com operações desburocratizadas, o crédito pode ser gerado em 48 horas. Algo importante, segundo ele, para quem precisa de capital de giro neste momento, permitindo às empresas criar um ambiente de liquidez, completa.