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Setor aéreo cresceu 4, 5% no primeiro semestre, diz vice-presidente da Avianca

Durante workshop na Fiesp, Tarcísio Gargioni afirmou que o setor está vivendo um momento privilegiado

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de o Brasil viver um momento de crise, incertezas, redução dos deslocamentos corporativos –que representam 60% das viagens aéreas– o primeiro semestre deste ano teve um crescimento de 4,5% de passageiros em relação ao primeiro semestre do ano passado, afirmou nesta quinta-feira (27/8) o vice-presidente da Avianca Linhas Aéreas, Tarcísio Gargioni. O executivo foi um dos participantes do workshop “Perspectivas do Setor Aéreo”, organizado pela Fiesp.

Segundo Gargioni, viajar faz parte da cesta do consumo brasileiro. “Com o ingresso da classe média no setor e o aumento da demanda, a previsão até 2020 é ter mais de 20 milhões de viagens por ano”.

Com relação a privatização de aeroportos no Brasil, ele acredita que, além de necessário, é uma decisão positiva. “As concessões já demonstraram a importância e a velocidade da infraestrutura no país. Isto prova que atividade privada nesta linha é mais rápida”, afirmou. A Avianca Linhas Aéreas quadruplicou de tamanho em quatro anos, saindo de 2% de participação de mercado para 9%. A previsão de crescimento da companhia para este ano é de 15% do mercado brasileiro.

Também presente no encontro, Carlos Pellegrino, diretor de regulamentação técnica da Azul Linhas Aéreas, trouxe números expressivos desta indústria. “O setor apresenta uma série histórica de 30 milhões de passageiros em 2003 para mais de 115 milhões atualmente”, afirmou.

Segundo Pellegrino, a cada aeronave Embraer comprada pela Azul, são gerados aproximadamente 100 empregos diretos, 300 indiretos, vendas de R$ 65 milhões por ano, receitas anuais acima de R$ 30 milhões para a Petrobras, Infraero e BNDES e mais de R$13,8 milhões por ano de impostos diretos.

Setor aéreo foi pauta do workshop de logística e transportes na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Setor aéreo foi pauta do workshop de logística e transportes na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Aviação Regional
Sobre o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional (Pdar), iniciativa criada pelo governo com o objetivo de aumentar o acesso da população brasileira ao sistema de transporte aéreo brasileiro, Pellegrino alerta: “Aeronaves grandes não desenvolvem as regiões, pois o desenvolvimento de mercados regionais envolve não apenas a existência de voos, mas a oferta de mais frequências e mais destinos e  há restrições de infraestrutura nos aeroportos regionais que impedem a utilização de aeronaves maiores”.

Ele esclareceu ainda que subsidiar de maneira equivalente aeronaves grandes e pequenas “vai na contramão do desenvolvimento da aviação regional, pois torna difícil a sobrevivência de serviços com aviões menores e premia a ineficiência da frota”.

Modelo de aeroporto por concessão
Durante o encontro, as concessões de aeroportos no Brasil foram abordadas como sendo fundamentais para o crescimento no setor aéreo. A exemplo, dos R$9,5 bilhões previstos para o aeroporto de Viracopos ao longo de 30 anos, praticamente um terço – R$ 3 bilhões – já foram investidos pela concessionária para melhorar a infraestrutura de todo o complexo aeroportuário em Campinas.

Marcelo Mota, diretor de operações do Aeroportos Brasil Viracopos S.A, mostrou como privatização foi essencial para tornar o aeroporto um dos melhores.

“Estamos cumprindo à risca a missão de desenvolvimento de Viracopos aliada à excelência na experiência do passageiro. Prova disso é que, mesmo superando mês após mês o número de usuários em relação aos períodos anteriores, fomos escolhidos pela terceira vez o melhor aeroporto do Brasil”, afirmou. Esta posição foi divulgada em uma pesquisa feita pelo Serviço de Aviação Civil (SAC) em abril deste ano, onde apontou Viracopos como o aeroporto mais bem avaliado do país pelos passageiros.

Adalberto Febeliano, vice-presidente da Modern Logistics, também participou do debate e afirmou que com as concessões o resultado continuará sendo um melhor ambiente competitivo para a infraestrutura aeroportuária.