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Senai-SP Superação: ‘O Senai é a uma paixão, tenho prazer em compartilhar conhecimento’

Professor da Escola Senai Anchieta, na Vila Mariana, na capital, Erineu Belline conta como se sente realizado ao trabalhar na rede

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Dos tempos de trabalho na lavoura de café, em que cada intervalo era uma oportunidade de abrir os livros para estudar, com direito a colocar sacos plásticos nas mãos para não sujar nada, ele guarda uma lembrança: era preciso ter muita esperança. Numa época em que o acesso aos estudos era infinitamente menos democrático, quem não acreditasse de verdade desistia. Não foi o que aconteceu com o engenheiro eletrônico e professor da Escola Senai Anchieta, na Vila Mariana, em São Paulo, Erineu Bellline, de 54 anos. De Duartina, no interior paulista, onde nasceu, até a maior metrópole brasileira, ele percorreu um caminho de muito esforço e estudo, encontrando no Senai-SP o incentivo que faltava para se sentir realizado na vida e no trabalho.

Tendo chegado em 1987 na capital paulista, onde sempre sonhou morar, ele conseguiu seu primeiro emprego como professor numa escola particular. “Chegar em São Paulo foi uma aventura, até o idioma parecia diferente daquele que eu falava”, lembra. “Vindo do interior, dava bom dia até para poste, foi difícil no começo”.

Em 1995, participou de uma seleção, foi escolhido e começou a dar aulas na unidade da rede na Vila Mariana. “Nessa época o Senai já era uma instituição forte, era difícil entrar”, conta.

Em paralelo, começou a trabalhar em indústrias nos horários livres. Hoje, segue como consultor de empresas e professor. “Trouxe conhecimentos da indústria para cá e daqui para lá”, diz. “Mas o Senai é a uma paixão, tenho prazer em compartilhar conhecimento”.

Um prazer tão grande que o fez dizer não a vários convites para trabalhar com manufatura em tempo integral. “Eu já escolhi o Senai mais de uma vez, não abriria mão do que faço aqui, mesmo sendo para ganhar melhor”, conta.

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Erineu dando aula na Escola Senai Anchieta: nem pensar em sair da instituição. Foto: Divulgação

Isso por se sentir presente e relevante em seu ambiente de trabalho. “Quando se tem uma equipe de verdade, as coisas acontecem”, diz. “Tenho sempre a sensação de que não posso amarelar, não quero passar por aqui como se nada tivesse acontecido”.

Nesse ponto, o envolvimento de Belline incluiu participação ativa na implantação do primeiro curso superior da escola: Tecnologia em Eletrônica Industrial, no qual é professor. “O Senai é a minha casa”, diz.

A sua casa e um lugar no qual muitos têm nele uma referência. “Aqui já fui uma espécie de padre e psicólogo de vários amigos e alunos, tento ajudar se me procuram para resolver algum problema”, diz.

Ele é famoso ainda pelas suas participações nas festas de formatura da unidade, nas quais costuma encerrar seus discursos cantando e, claro, fazendo a alegria das plateias. “O ser humano só se liberta quando tem acesso ao conhecimento”, diz. “O Senai liberta porque ensina”.

Nessa linha, seu lema de trabalho e de vida é uma reflexão do filósofo Sócrates: “Existe apenas um bem: o saber. E apenas um mal: a ignorância”. “Sempre acreditei na educação, fui uma criança muito esperançosa, por isso conseguia estudar em cada intervalo na roça de café, com sacos de plásticos nas mãos para não sujar os livros”, lembra.

Uma lembrança boa dessa época, além da esperança que era para ele um combustível para mudar de vida? “Nunca vou esquecer da época da florada do café: a plantação fica branca e o perfume é dos melhores que eu já senti”, conta.

O cheiro do café e as memórias das primeiras aulas que deu, para boias-frias na igreja católica de Ubirajara. “A igreja precisava de mais fiéis e nós trouxemos os boias-frias para rezar o terço e aprender a ler”, conta. “Foi quando eu descobri que queria mesmo ensinar, o mesmo comprometimento que eu tenho até hoje no Senai-SP”.