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Seis milhões de pescadores amadores brasileiros ignoram a regulamentação

Fernando Baracho Martinelli, da revista Pesca & Companhia, fala sobre cadeia produtiva da pesca amadora esportiva, em encontro de comitê na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Fernando Baracho Martinelli, da revista Pesca & Companhia e coordenador da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe)

No Brasil, seis milhões de pessoas podem ser consideradas pescadoras contumazes, ou seja, que rejeitam as regulamentações da atividade amadora e esportiva, de acordo com a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur).

Destes, 250 mil são licenciados, número ainda baixo para um negócio que mostra crescimento e já possui uma cadeia produtiva configurada, como reconhece o representante da revista Pesca & Companhia e coordenador da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), Fernando Baracho Martinelli.

Ele participou da reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Fiesp, na manhã desta sexta-feira (15), e apresentou a composição do sistema produtivo que atende aos pescadores amadores esportivos.

“O negócio está movimentado e crescendo bastante”, disse Martinelli ao citar setores como o de comércio, nas vendas de equipamentos e roupas adequadas para a pesca, a indústria de bens e consumo, no que diz respeito à construção de estaleiros e montagem de motores, e comunicação e eventos, como a realização de torneios além de publicações especializadas.

Martinelli ressaltou ainda que o setor de turismo, com pacotes de roteiros de pesca, tem papel fundamental na cadeia produtiva da pesca amadora esportiva, a qual, segundo o Sebrae, movimenta cerca de  R$ 1 bilhão anualmente no País. “Existe uma carência de profissionais especializados em vender o pacote de pesca”, observou.

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Leinad Ayer de Oliveira, superintendente federal da Pesca e Aquicultura do Estado de São Paulo

Na quarta-feira (13), os ministros da Pesca e Agricultura, Luiz Sérgio, e do Turismo, Pedro Novais, assinaram um termo de cooperação entre as duas pastas para promover o desenvolvimento da pesca esportiva no País.

A principal revista de pesca do Brasil fez uma reportagem com populações ribeirinhas para ilustrar uma edição comemorativa de 200 páginas e concluiu que “98% dos ribeirinhos entrevistados não vivem do pescado, mas da isca viva para os turistas que compram pacotes de pesca”, informou Martinelli. “É uma excelente oportunidade de desenvolvimento social.”

Regulamentação

Apesar de reconhcer o elevado número de pescadores amadores esportivos fora da regulamentação, Martinelli mostrou otimismo ao citar dados da Embratur que apontam um aumento de 8,85% do índice de licenciados entre os anos de 2009 e 2010.

Os progressos na regulamentação de pescadores nos últimos dois anos, no entanto, ainda são vistos como pouco expressivos para a superintendente federal da Pesca e Aquicultura do Estado de São Paulo, Leinad Ayer de Oliveira.

“Cada vez que vamos construindo uma cadeia do setor, conseguimos mais parcerias e acordos para legalizar as atividades. Mas o número de pescadores irregulares ainda é muito grande. Precisamos ver que cadeia produtiva estamos construindo”, alertou Oliveira.

“Não dá para estruturar essa cadeia com irresponsabilidade”, disse a superintendente sobre reforçar fiscalizações para impedir desequilíbrios ambientais e danos à pesca extrativa.