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Segurança energética é fundamento para competitividade da economia, diz coordenador da FGV

Otávio Mielnik defendeu a construção e expansão de usinas nucleares em workshop na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A segurança energética é um importante fundamento para a competividade da economia brasileira. E para garantir o abastecimento no país é essencial priorizar uma matriz de energia diversificada. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (13/5) pelo coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Otávio Mielnik.

Ao participar de um workshop sobre energia nuclear organizado pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mielnik listou quatro “itens importantes na segurança energética”: a confiabilidade no fornecimento, localização e acesso, custo da geração de energia e estabilidade.

O coordenador da FGV ponderou, no entanto, que “não estão diversificando as fontes, estão acelerando o crescimento de geração hidroelétrica. Isso é fato para os próximos anos”.

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Otávio Mielnik, da FGV, fala em worshop da Fiesp sobre energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Mielnik apresentou a informações de um projeto lançado pela FGV, na sede da Fiesp em 2013, para a expansão da matriz energética, incluindo a geração nuclear, em 2040. O estudo aponta três possíveis cenários para a situação energética do país e para a economia brasileira.  Em todos os cenários, a entidade defende a diversificação da matriz.

“A geração nuclear é uma ótima candidata para garantir a segurança energética pela confiabilidade, com um fator de capacidade de 90%, custo de geração competitivo, pela localização próxima aos centros de consumo, estabilidade no longo prazo e pela integridade da cadeia de valor”, afirmou Mielnik.

Atividade mundial

O diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, também participou do debate sobre uso de energia nuclear na Fiesp. Segundo ele, há mistificação quanto à produção e ao consumo de energia nuclear, que precisa ser derrubado.

“Não estamos falando de um bicho raro, é uma atividade tecnológica industrial amplamente difundida no mundo”, disse Guimarães. Ele informou que há mais de 435 reatores nucleares em 31 países e 66 usinas nucleares em expansão ou construção no mundo, “sendo que duas estão sendo construídas nos Estados Unidos”.

Na avaliação do diretor, a visão de que a produção nuclear perdeu força “se espelha em apenas um país da Europa, a Alemanha, que tomou essa decisão política e está lhe custando caro”.

Guimarães disse ainda que, apesar estar entre os 10 maiores geradores de energia elétrica do mundo, o Brasil ocupa a 90ª posição no consumo per capita. “Se a gente espera desenvolver a sociedade brasileira, temos que gerar muito mais eletricidade do que estamos gerando. E a questão é: como gerar essa eletricidade a custos praticáveis e com impacto ambiental reduzido?”, completou.

O palestrante aproveitou a ocasião para alertar sobre o potencial hidrelétrico do país que, segundo seus cálculos, deve se esgotar em 2020.

“Cuidado com o mito do potencial infinito. A parcela viável, ambiental e economicamente, desse potencial se esgota em 2020. Dos 180 gigawatts dos quais temos, quase 100 já foram aproveitados”.

Especialistas e plano de contingência

Em sua apresentação, o gerente do Centro de Engenharia Nuclear do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), Ulysses D´Utra Bitelli, criticou a falta de incentivo à formação de especialistas no segmento.

Segundo Bitelli, desde o ano passado, ao menos 50 funcionários do IPEN se aposentaram. “Os especialistas em energia nuclear estão acabando no país. Estamos perdendo pessoal e nos próximos 10, 15 anos acabou”.

O gerente informou ainda que mais de 530 trabalhos científicos do IPEN foram publicados em periódicos internacionais, em 2014.

Também presente no debate, a diretora da Engenho Consultoria, Leontina Pinto, defendeu a criação de um plano de contingência efetivo para a expansão e diversificação da matriz energética.

“Qualquer usina que seja construída, na verdade, deveria ter plano de contingência. Energia por si só é uma coisa que, descontrolada, dá bobagem”, disse. “E não há opção sem custo, toda opção vai ter seu preço”, completou.