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Segundo Esquenta do Hackathon traz dicas para desenvolvimento de soluções em economia criativa

Reinvenção e colaboração foram destacadas pelos palestrantes

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“A organização em rede é feita para sobrevivência e ela se desorganiza para acontecer a criação”, disse Osvaldo Oliveira, economista e especialista em inovação e negócios, durante o 2º Esquenta do Hackathon, evento preparatório para a 4ª edição da maratona de desenvolvimento de aplicativos que acontece nos dias 22, 23 e 24 de agosto, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Osvaldo participou da criação e implantação dos contratos de opções de ouro e de juros futuros na BM&F. Idealizou, implantou e operou a primeira empresa 100% em rede do Brasil. Segundo ele, empresas como o Google, estão se acostumando a lidar com a morte das coisas e com a mudança. “A gente não sabe mais o que elas fazem justamente pelo grau de conectividade que têm com a sociedade. Esta é a abertura do empreendedor para amadurecer junto com o sistema. Um desafio de abertura, que forçosamente vai passar pela desconfiança.”

“Quanto mais a gente conseguir repetir o padrão, mais qualidade teremos. Já a eficácia é fazer a melhor coisa. Ter a capacidade de mudar. Esta é a capacidade que o universo tem. Quando temos alta eficiência e alta eficácia, temos a capacidade de transformação. Já quando não se tem capacidade para as duas coisas, morremos no universo. Mesmo que o sistema dificulte a capacidade de mudar, temos este compromisso”, explicou o especialista.

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Plateia lotada no 2º Esquenta do Hackathon. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Conectando tecnologia às pessoas

Camila Achutti, sócia-fundadora da Ponyte 21, relatou sua experiência desde sua infância. “Meu pai foi muito responsável por eu estar aqui e ser esta profissional. Ele ditava código Cobol pelo telefone. Eu achava que era uma língua alienígena que resolvia as coisas”, brinca.

“Ter sido a única mulher da turma em Ciências da Computação na Universidade de São Paulo (USP) me fez analisar como as pessoas criam estereótipos cruéis”, disse. Ela defendeu a necessidade de acabar com conceitos arbitrários.

Fundadora do blog Mulheres na Computação e também premiada como Women of Vision 2015, Camila deixou uma provocação ao público do Hackathon: “como podemos fazer estes recursos que parecem óbvios? Como podemos fazer este conhecimento ser compartilhado? Empreender pra mim é reinventar o mundo”.

Gil Giardelli, fundador da Gaia Creative 5era, compartilhou sua experiência em participar do Hackathon na Inglaterra. “O olhar atual é para a inovação radical, como fizeram a Apple, Kodak e muitas outras. Estamos falando em construir organizações, e quando se desconfia do outro, não é possível compartilhar o seu quarto, o seu carro, por exemplo.”

“Agora a tecnologia está no DNA. Estamos entrando na era da colaboração. É importante estarmos abertos para a economia compartilhada. É vocação brasileira a colaboração. Por isso, acredito que devemos assumir uma agenda mais colaborativa. Temos esta capacidade”, aconselhou aos participantes do Esquenta.

Economia compartilhada no trabalho social

Global Agenda Council in Creative Economy e Global Shaper pelo Fórum Econômico Mundial, Lorrana Scarpioni, mesmo sendo criada no Paraná, conta que sempre passava férias no interior da Bahia, seu Estado natal. “Foi lá que conheci a desigualdade e me questionava por que as pessoas não têm as mesmas oportunidades. E desde então, comecei a trabalhar com ONGs, com o objetivo de mudar um pouco o mundo.”

Não é à toa que a CEO da Bliive é considerada uma das 10 pessoas mais inovadoras com menos de 35 anos no Brasil, de acordo com o MIT Technology Review Innovators under 35.  Ela investiu muito do seu tempo e conhecimento para criar a sua empresa, totalmente focada na relação de troca e na economia compartilhada.

“Se vocês querem empreender e, é este motivo do Hackathon, o primeiro passo é ver o valor além do dinheiro, é entender como fazer negócio. O segundo passo é compreender o poder da multidão. Antes você precisava de um investidor a todo custo para sair ter o resultado e hoje esta multidão é também parte da solução. Terceiro: não temos todas as respostas. É importante procurar parcerias com outras pessoas, construir coletivamente e entender o valor do outro. Por último, a dica é repensar.”

Lorrana concluiu dizendo que começou o seu projeto para chegar até o interior da Bahia. “Me sinto realizada, porque de fato fazer algo que realmente tem relevância para alguém não tem preço.”