Secretaria de Esportes paulistana mostra na Fiesp plano para aumentar atividade física na cidade

São Paulo tem a pior taxa entre as capitais brasileiras, destaca Daniela Castro em reunião do Departamento do Esporte da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Daniela Castro, secretária adjunta da Secretaria de Esportes e Lazer do município de São Paulo, participou nesta quarta-feira (27 de setembro) de reunião do Departamento do Esporte da Fiesp (Code) para apresentar o plano estratégico de sua pasta e explicar as formas de parceria que podem ser firmadas.

O plano de metas da Prefeitura de São Paulo, explicou, leva em conta o pouco que há para investir. Uma meta, entre as 50, é referente ao esporte: aumentar em 10% a taxa de atividade física na cidade de São Paulo. E há duas metas internas da secretaria, diminuir em 10% a taxa de inatividade física na cidade e aumentar o número de crianças e adolescentes de até 14 anos que praticam 3 horas de atividade física.

Os projetos da secretaria precisam contribuir com a meta da prefeitura, têm que ser escaláveis, inclusivos e diminuir a desigualdade. Têm que pensar no longo prazo, em vez de parcerias pontuais. Precisam ser mensuráveis e devem levar em conta a relação entre seu custo e seu impacto, listou Daniela.

A campanha SampaAtiva durará 4 anos e incluirá melhoria dos equipamentos, da oferta de atividades e da comunicação. É preciso, disse, levar as pessoas a praticar atividade física.

A Fiesp, destacou Mario Frugiuele, diretor titular do Code, procura incentivar o planejamento. “Nada se faz hoje sem planejar – nada bem-feito.” O diretor titular do Code elogiou a criação do plano pela secretaria. “Lutamos pelo esporte grande. Sem ele não há cadeia produtiva do esporte”, defendeu.

Levantamento dos principais problemas da cidade mostra que em relação aos temas ligados à pasta uma das questões é a atividade física, disse Daniela. A obesidade e a inatividade terão custo elevado. E São Paulo tem a pior taxa de atividade física entre as capitais brasileiras. Somente 30,7% se exercitam.

O problema começa cedo. Apenas 34,7% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental são ativos. Somente 53,8% dos alunos têm duas aulas de educação física por semana.

Em seus 310 equipamentos esportivos, são atendidas 32.000 pessoas, número (0,27%) baixo em relação à população total. Coisa interessante entre os 264 clubes da comunidade é que chegam a pessoas que ninguém alcança. A população em um raio de 1 km deles é de 2 milhões de pessoas.

Escolas e UBS estão entre as entidades com as quais a secretaria do Esporte vai interagir mais, e por isso o mapeamento dos equipamentos esportivos os localiza.

O levantamento mostrou o custo mensal de manutenção dos clubes e o custo de sua reforma para otimizá-los, para o que a prefeitura buscará parcerias.

Parcerias devem ser em torno de equipamentos públicos, que continuarão públicos, explicou. Isso poderá ser feito por meio de concessões públicas, em que seja mantida a finalidade do equipamento. Termos de cooperação público-privados permitirão a gestão de equipamentos municipais e a gestão compartilhada de atividades e serviços. Poderão ser assinados com organizações sem fins lucrativas, como ONGs, OS e clubes, e com empresas.

O desafio é maior do que se previa e acontece enquanto se reorganiza a secretaria, disse Daniela. “Mas nós temos um plano.”

“Não adianta querer fazer sozinho”, disse Daniela. Há um comitê intersecretarial na prefeitura, com nove pastas envolvidas. Para transformar São Paulo num case de sucesso em relação à atividade física será buscada parceria com órgãos da ONU.

Reunião do Departamento do Esporte da Fiesp com a participação de Daniela Castro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Compliance

Marco Aurélio Martorelli, que preside a Comissão de Convênios e Parcerias Públicas da OAB-SP, também fez apresentação na reunião do Code, sobre compliance nos clubes. Compliance e integridade são a normatização das boas práticas, explicou. “Sou do tempo em que compliance era respeito e vergonha na cara.”

Mario Frugiuele, diretor titular do Code, chamou o compliance de passo além das normas e procedimentos. “Os gestores ainda não entenderam onde estão se metendo”, alertou, referindo-se à nova realidade de legislação e fiscalização.

Martorelli defendeu que os clubes incorporem o compliance, que gera valor para as entidades, embora seja custoso fazer isso. O compliance oferece uma oportunidade de fazer revisão constante do que é feito nos clubes, evitando o funcionamento “no automático”.

A sociedade exige um comportamento diferente por parte dos clubes, e há nova realidade jurídica também, afirmou Martorelli. O compliance fortalece a reputação, que é parte do patrimônio dos clubes, lembrou.

Tudo isso faz parte do Manual de Boas Práticas de Gestão e Compliance do Sindi-Clube.

Boas práticas, disse, são o conjunto de ações voltadas ao atingimento de metas de forma eficiente e focadas nos resultados, executadas conforme os princípios e valores expressos pela comunidade.

Governança, na definição do manual, é o sistema de gestão pelo qual a organização e dirigida, monitorada e incentivada, envolvendo o relacionamento entre todas as partes.

Compliance é ação, não apenas palavras. É agir em conformidade com todo o aparato normativo que define os comportamentos e as práticas das pessoas e da organização a que pertencem, em todas as etapas e níveis em que atuam direta e indiretamente, observando os valores e princípios da comunidade em que se inserem.

É preciso fazer o mapeamento de riscos e diagnosticar as práticas e procedimentos estabelecidos (localizando conflitos de interesse internos e externos). Também revisar normas e diretrizes, com um código de conduta que liste por exemplo a política de brindes e vantagens. Outro item necessário é o aprimoramento dos canais de participação e instâncias de transparência. Os registros precisam ser confiáveis e rastreáveis. Parcerias inconvenientes devem ser rescindidas, com tolerância zero em relação a desvios e malfeitos.