“Saímos com vontade de empreender”, dizem participantes do Ideathon, “intensivão” de criação de startups

Atividade no Festival de Empreendedorismo da Fiesp comprime tempo de projeto e leva da ideia ao produto final em menos de um dia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Sabrini Mariani e Thalitta Rodrigues dos Santos entraram na sala do Ideathon, uma das atrações do FestEmp (Festival de Empreendedorismo da Fiesp), com a ideia de criar um programa para ajudar o trabalho dos contadores e dar mais recursos para os administradores das empresas atendidos por eles. Depois de seis horas de um verdadeiro curso intensivo de como desenvolver uma ideia, transformá-la num plano de negócios e atrair investidores, saíram da Fiesp certas de que vão empreender.

“Mudou muito”, afirmou Thalita sobre o que esperava antes do Ideathon e o que planeja fazer agora. “Foi importante encontrar gente que mexe com tecnologia”, disse, referindo-se a Suzy Laplanche e Luiz Batista, ambos da Vallor Digital, que junto com elas desenvolveram no Ideathon o modelo de um sistema em nuvem para contabilidade e gerenciamento. “Pode dar certo, fazendo um plano”, avaliou Sabrini. “Sabemos da situação atual, conhecemos o mercado para contador, e falta tecnologia”, completou Thalita.

“A gente saiu da caixinha”, contou Thalita. “Agora vamos estudar mais as ideias. Precisamos pensar nos questionamentos dos clientes, estar preparadas para responder. A fase de testes é muito importante.” Segundo Sabrini, é preciso considerar que contadores costumam ser “muito focados em coisa operacionais, concretas”.

“Achei fantástico o Design Sprint”, disse Sabrini em relação à primeira parte do Ideathon, realizado neste domingo (12 de novembro), durante o FestEmp. “Vimos que esse start é importante, mas é preciso pensar na parte técnica.” Thalita e Sabrina gostaram tanto do que descobriram no Design Sprint que por WhatsApp convidaram outros alunos do curso que fazem, de ciências contábeis, a participar da parte da tarde do evento.

5 dias em 5 horas

Emerson Bernardino, membro do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE) explicou o processo do Design Sprint do Ideathon. Baseado em metodologia criada pelo Google Ventures (atual GV) que comprime em cinco dias o processo de lançamento de um produto que levaria meses, o Design Sprint do Ideathon reduziu para cerca de 2,5 horas a simulação.

Cada etapa que seria feita em um dia teve em torno de meia hora no Ideathon. A primeira fase, chamada de equalização, permite chegar ao entendimento entre os participantes do grupo de qual problema atacar. Em seguida são discutidas as ideias tidas. A fase seguinte é de tomada de decisão, seguida pela execução do protótipo (que pode ser um produto, ou o desenho das telas de um aplicativo, por exemplo). E por último, há a jornada do usuário, em que pessoas são convidadas a testar o produto e dar suas impressões.

No Ideathon, Design Sprint acelerado permitiu ir de uma ideia ao teste de um produto. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“Gosto muito de design thinking, e o Design Sprint é derivado dele. Tento usar no dia a dia”, disse Luiz Batista, da Vallor Digital, que há três anos frequenta eventos da Fiesp ligados a empreendedorismo. Batista elogiou no Ideathon a troca de experiências sobre coisas de fora de seu metiê. “E no final desenvolvemos um produto bacana”, disse, a respeito do sistema de contabilidade pensado em conjunto com Thalita e Sabrini.

Suzy Laplanche, também integrante do grupo, afirmou que gostou das “características dinâmicas do Design Sprint” e da interação com as estudantes de ciências contábeis. “Trabalhei 9 anos na área financeira, então houve sinergia muito forte. Agora vamos atrás de investidores”, brincou.

Momentos tensos

Marcus Maida, membro do Comitê Acelera Fiesp e um dos responsáveis pelo Ideathon, mostrou como usar o Canvas, ferramenta para ajudar o empreendedor. É uma espécie de painel configurável no qual o empresário insere seus “bilhetinhos”, abordando os vários aspectos do negócio. Quando os grupos terminaram o trabalho, veio o choque: Maida desafiou todos os participantes a rasgar o Canvas, o resultado de 3 horas de esforço. “Isso é a coragem para empreender, para jogar fora uma ideia ruim. A próxima vai ser boa.”

Maida explicou então como fazer o pitch, uma apresentação ultrarrápida de um negócio a um potencial investidor. “Em 3 minutos vocês têm que contar a ideia, quem são vocês, como isso vai fazer o investidor ganhar dinheiro”, disse. Para complicar, “os 30 primeiros segundos têm que ser arrebatadores”.

Veio então o segundo choque, para os participantes escolhidos para fazer um pitch: quase todos os projetos foram implacavelmente rejeitados, o que, destacou Maida, é parte do processo de aprendizado.

Marcus Maida disse no final do evento que sua intenção era que os participantes saíssem pensando que é possível fazer e que é preciso fazer direito. Conseguiu.

Trabalho encerrado, todos mostram seu Canvas, antes do desafiio para rasgá-lo. Foto: Graciliano Toni/Fiesp