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Reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp discute enfraquecimento dos partidos

Embaixador Carlos Henrique Cardim faz palestra baseada na obra de Durkheim

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O embaixador Carlos Henrique Cardim fez nesta segunda-feira (21 de agosto) a palestra “Durkheim e a ordem liberal brasileira. Anomia e controle”, dentro da série Repensando o Brasil, do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Consea), do qual é integrante. Por que Durkheim é tão importante? Porque valorizava muito a construção da consciência social, explicou Cardim. O enfraquecimento dos partidos políticos brasileiros, alvo de grande preocupação durante a reunião, torna atual a discussão da obra do sociólogo.

A reunião foi conduzida pelo presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder Silva, que criticou o resultado do que na Câmara deveria ter sido uma reforma política. O Consea, informou, deve discutir em reunião extraordinária o tema. A discussão na reforma política é apenas eleitoral, disse Cardim em sua apresentação. Ela considerou somente o voto, que é uma das quatro dimensões da política, ao lado dos partidos, da consciência política e da Justiça Eleitoral, explicou.

Sistema sem raízes

Nosso sistema, disse Cardim citando Nabuco de Araújo (pai de Joaquim Nabuco), é uma ponte suspensa. A ponte é uma grande ousadia, vai-se contra a natureza; é um exemplo de grande criatividade, mas no nosso caso é uma ponte sem pilastras, à qual falta enraizamento, ela flutua. Quem dá a sustentação? Os partidos.

Refletindo sobre o quadro que mostra o Brasil como país de maior crescimento no século 20 e a instabilidade recente, nota-se que continua o problema da ponte suspensa, disse Cardim. Falta a educação.

Num momento de forte crise, após o crash de 1930, os Estados Unidos não se inclinaram ao totalitarismo, graças à força de seus partidos, cujas estruturação e legitimidade tiveram sua importância ressaltada por Cardim, que citou Hans Kelsen: “A democracia será um regime de partidos ou não será”.

Os países ricos primeiro foram democratas, depois enriqueceram, lembrou o diplomata. E os EUA desde seu início se preocuparam com a educação, disse. Citou relato de Hipólito da Costa (Diário da Minha Viagem para Filadélfia), pioneiro da imprensa brasileira com o Correio Brasiliense, que se impressionou com a pobreza do país, mas destacou a existência de quatro universidades lá.

O Brasil, disse Cardim, citando Euclydes da Cunha, é um país teórico, feito aos saltos. Falta a educação, a cultura política – cujo valor, na análise de Cardim, pode ser buscada na Alemanha, que após a Segunda Guerra Mundial fez um grande esforço para reforçá-la.

No Brasil, que copia da Alemanha o sistema político, deveria haver a destinação de 20% da cota do fundo partidário reservada a cada partido à fundação vinculada a ele, para promover a educação política. O modelo alemão completo tem também, o que não trouxemos, uma central para educação política, independente dos partidos, lembrou Cardim. Tem como tarefa difundir a Constituição para todos os alemães e explicá-la.

Ivete Senise Ferreira, vice-presidente do Consea, destacou da fala de Cardim a demonstração da importância dos partidos para a ordem democrática. E a importância da educação política, disse, exige que ela não seja feita para núcleos de elite. É preciso, afirmou, que seja feita entre a população, que é quem vota.

Na mesa principal estavam também Osires Silva e Valdir Moysés Simão, conselheiros do Consea.

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Reunião do Consea com palestra de Carlos Henrique Cardim. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp