Regulamento provisório sobre resposta da demanda deve ser apresentado no 2º semestre

Fiesp promoveu workshop para debater tema com representantes do setor

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

A chamada resposta da demanda é mecanismo já implementado em grandes economias, como a dos EUA, Canadá e Europa, e consiste em incentivar grandes indústrias a reduzir o consumo de energia elétrica nos momentos em que o sistema está com pico de demanda ou escassez de recursos de geração. Este assunto foi discutido no workshop Infraestrutura Energia, realizado nesta quarta-feira (21 de junho) na sede da Fiesp, onde também foi apresentado o projeto piloto que está sendo desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace) e com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).

Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, que esteve presente no evento, a Aneel colocará em audiência pública um regulamento provisório sobre a resposta da demanda no início do segundo semestre deste ano, com duração prevista de até um ano e meio. “Nessa regulamentação será estabelecida a receita, regulamentação de penalidades, todas as condições para que se possa operar com tranquilidade o sistema”, conta, sem deixar de destacar que é preciso ainda estabelecer algumas condições. “Uma delas é o prazo para redução do consumo, com que antecedência se informa ao operador a possibilidade dessa redução e por quanto tempo o consumidor pode reduzir. A terceira variável é o volume, quanto poderá ser reduzido naquele intervalo de tempo”, explica.

Quanto à utilização ou prestação desse serviço, segundo explica Barata, será uma decisão voluntária, independente, descentralizada de consumidores e distribuidores. “Ninguém vai ser obrigado a nada. Só acontecerá quando for bom para o sistema e o consumidor. Ontem, a Aneel já sorteou o relator desse processo. Vamos conseguir”, completa.

Também presente no evento, Gentil Nogueira de Sá, superintendente adjunto da Aneel, disse que está sendo avaliado o incentivo financeiro para que o consumidor reduza a sua demanda. “Esse incentivo será calculado como parte do encargo para garantia energética, que hoje é suportado pelos consumidores”, explica.

Para Ricardo Lima, diretor da divisão de energia da Fiesp, essa é uma oportunidade para a indústria participar de forma efetiva com a redução de demanda de energia para o país. “As indústrias que têm unidades fora do país já fazem uso do RD”, conta.

O investimento nesse projeto piloto, segundo Roberto Castro, conselheiro da CCEE, se dá por conta da evolução do setor elétrico. “A forma de consumir energia elétrica é diferente de há 30 anos. Há mudança no comportamento do consumidor. Enquanto outros países já estão correndo uma maratona, estamos engatinhando nesse assunto, ainda na fase do debate”, observa.

Na conclusão do evento, Marcelo Pelegrini, sócio-diretor da Sinapsis Inovação em Energia, pontuou sobre a aplicação de resposta da demanda no Brasil. Segundo Pelegrini, ela se dá no mercado livre de energia, nos leilões de resposta de demanda, resposta da demanda nas concessionárias e resposta da demanda nos clientes. “Os consumidores contribuem efetivamente com a geração na rede. Para isso, um exemplo de solução é a implantação de um centro de resposta da demanda controlado pela distribuidora. O uso do big data também é uma boa alternativa para saber as necessidades do cliente”, apontou.