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Rebaixamento de grau de investimento do país aumentaria custo do capital

Economista-chefe do Bradesco acredita em 60% de chance de não rebaixamento da nota pela Standard & Poor´s, que estará no país nesta semana para analisar rating de crédito

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp,

O Brasil evoluiu em rating e desde 2008 recebeu a nota de investment grade, mas qualquer rebaixamento, embora isso seja pouco provável, aumentaria significativamente o custo do capital no país, avaliou nesta segunda-feira (10/03) o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros. Ele se reuniu com o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), às vésperas de uma equipe da Standard & Poor´s desembarcar no país para discutir rating de crédito.

A agência de classificação de risco foi a primeira a elevar a nota do Brasil para grau de investimento em 2008 e foi a única até agora a colocar a classificação com perspectiva (outlook) negativa.  Uma equipe da Standard & Poor´s virá ao Brasil nesta semana para se reunir com empresários e economistas e discutir a posição do país.

“Há uns meses, eu dava uns 60% de chance de ter rebaixamento (da nota), agora dou 60% de chance de não ter rebaixamento”, afirmou Barros. “Mas como o outlook deve continuar negativo, caso não haja o rebaixamento não haverá espaço para blefe na área fiscal, na minha visão”, ponderou.

Barros: não rebaixamento do país por agência de classificação de risco. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Barros: não rebaixamento do país por agência de classificação de risco. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Membro do Cosec, Barros avaliou ainda que os problemas macroeconômicos do Brasil não são de natureza  “tão grave”. “Eu pessoalmente acho que o Brasil não tem nenhum problema insolúvel.  Há um problema de só percepção de gestão fiscal, o qual eu acredito ser algo facilmente contornável, se houver vontade”, explicou.

Fragilidade

Em meados de 2013, o Brasil entrou para o grupo dos “Cinco Frágeis”, países que têm em comum as moedas mais vulneráveis a mudanças na economia internacional. O banco de investimento Morgan Stanley incluiu o país nesse hall formado pela Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul.

Barros, no entanto, acredita que manter essa classificação é exagero. “O Brasil tem problemas, mas a classificação de frágil para mim é exagerada”, afirmou.

O economista-chefe do Bradesco justificou a opinião afirmando que o Credit Default Swaps (CDS), indicador do Risco-País, tem registrado queda enquanto “o diferencial entre Brasil e México, que havia piorado e chegado a 110 pontos, agora está em 78 pontos e a tendência é que isso melhore gradualmente”.

Barros estima uma expansão de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2014. Segundo ele, os vetores do crescimento devem ser uma atividade global mais aquecida, recuperação da Petrobras e o volume de concessões para obras, sobretudo as Parcerias Público-Privadas (PPPs).

A reunião do Cosec na Fiesp nesta segunda-feira (10/03): fragilidade exagerada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A reunião do Cosec na Fiesp nesta segunda-feira (10/03): fragilidade exagerada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“Do lado baixista tem a subida do juros, o [setor] agrícola mais fraco, o fiscal menos expansionista, bancos públicos menos ativos e a desaceleração da Argentina e da China”. 

Barros falou para membros do Cosec. A reunião conduzida pelo presidente do conselho, o ex-ministro da Fazenda Delfim Neto. O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini, e o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Andrea Calabi, também participaram do encontro.