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Quem se preparar tem mais condições de enfrentar crise, recomenda presidente da Fiesp

Benjamin Steinbruch e presidente do Ciesp, Rafael Cervone Netto, tiveram encontro nesta quarta (24/09) com empresários da cidade do interior para falar das perspectivas da economia brasileira

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp, de Bragança Paulista (SP)

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, esteve nesta quarta-feira (24/09) em Bragança Paulista, onde se reuniu com empresários do município, situado a pouco mais de 85 quilômetros da capital.

Depois de alguns minutos de conversa amena, em que relembrou o início dos anos 70, quando, com pouco mais de 18 anos de idade, deu um de primeiros passos em sua vida de empreendedorismo justamente em Bragança, Steinbruch disse não estar otimista com o cenário econômico atual e as perspectivas para 2015.

“Estamos em um momento muito delicado na economia do país, em todos os aspectos: da indústria, do comércio, da educação, da saúde. Acho que a gente está vivendo uma crise, que vai se aprofundar”, assinalou, em evento em que esteve acompanhado pelo presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone Netto.

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Steinbruch: "Falta de confiança não é só do empresário. É de quem compra. Quando o consumidor para de comprar, a economia vem para trás." Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Segundo o presidente da Fiesp, cada empresário sabe como conduzir seu negócio, mas ainda assim é aconselhável que todos estejam prontos para ultrapassar uma fase em que os prognósticos não são animadores.

“O que posso antecipar é que não vejo nenhuma facilidade pela frente. Tem que se preparar, seja do ponto de vista de pessoa, de família, de negócios. A crise vem forte e quem se antecipar a ela – e quem se preparar – tem mais condições de enfrentá-la”, alertou Steinbruch.

“Infelizmente já estamos vendo desemprego e isso não é bom para ninguém. Empresário nenhum gosta de reduzir quadro de pessoal e empregado nenhum gosta de ser demitido.”

De acordo com o presidente da Fiesp, o modelo econômico baseado em consumo aparentemente se exauriu. “As famílias ficaram endividadas, o financiamento ficou mais caro, o crédito mais difícil. E com a falta de confiança os estoques aumentaram, o comércio caiu e a produção parou”, explicou.

“A falta de confiança não é só do empresário. É de quem compra. Quando o consumidor para de comprar, a economia vem para trás. Do ponto de vista de consumo, o mercado está caindo, e aí o risco de menor produção e de menor emprego”, observou Steinbruch, acrescentando que o modelo de crescimento pelo investimento em infraestrutura também não se confirmou por falta de confiança.

De acordo com o presidente da Fiesp, os empresários continuam investindo porque ainda acreditam no futuro. Mas será preciso apertar os cintos. “Vamos ter que rezar bastante e torcer para que as coisas dêem certo.”

Uma das soluções, segundo ele, passa por uma melhor gestão da coisa pública. “O princípio básico é gastar o que tem. O que a gente vê hoje é o governo gastando o que não tem. E gastando mal.”

Agenda para 2015

Para o presidente do Ciesp, Rafael Cervone Netto, sejam quais forem os governos eleitos em nível federal e estadual, é preciso que o presidente da República e o governador do Estado tenham uma agenda nos 60 dias iniciais para promover reformas que tornem o ambiente menos hostil para quem quer empreender.

“Temos que ter mais previsibilidade. Precisamos de visão de longo prazo”, declarou Cervone ao falar de questões tributárias e trabalhistas.

“Estamos discutindo com todos os candidatos à Presidência da República e ao Governo do Estado a investir os primeiros 60 dias a esses temas. Não temos isonomia de condições com os nossos concorrentes internacionais. O ambiente de negócios está hostil, muito hostil. Precisamos retomar nossa competitividade.”

De acordo com Cervone, o Brasil não vai se sustentar somente com uma economia baseada em serviços. “Até porque o setor de serviços depende muito da indústria. O Brasil não consegue resultados positivos sem a indústria.”