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Qualificação da mão de obra da indústria naval parou nos anos 80, afirma diretor do IPT

No terceiro dia de L.E.T.S., especialistas avaliaram estrutura da indústria naval em meio à esperada demanda por parte do setor de petróleo e gás

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Carlos Padovezi, do IPT, durante painel em encontro de infraestrutura da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Pauta das discussões da indústria naval, o custo da mão de obra ainda deve continuar elevado até o Brasil recuperar um patamar de qualificação que deixou de ser perseguido nos anos 1980, avaliou nesta quarta-feira (21/05) o diretor do Centro de Engenharia Naval do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Carlos Padovezi.

“Vários estaleiros estão contratando gente, mas ainda tendo que capacitar o pessoal. Vamos passar por um período que ainda não valerá comparar a nossa produtividade com países que estão de modo permanente construindo navios e plataformas”, alertou Padovezi.

Ele participou do terceiro dia da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo em parceria com o Sistema Firjan (Fiesp) para discutir a integração da infraestrutura no país.

“Tínhamos mão de obra qualificada para trabalhar em estaleiros nos anos 1980 e fomos perdendo. Agora, de uma forma acelerada, estamos necessitando dessa mão de obra”, adicionou.

Segundo Padovezi, custos elevados de produção também travam a expansão do setor. De todos os custos para produzir uma embarcação, por exemplo, 65% corresponde ao gasto com materiais, peças e equipamentos, enquanto 20% corresponde à mão de obra e outros 15% são consumidos por despesas diversas.

“Para fazer um navio, por exemplo, o fabricante precisa de 2 a 3 mil peças e cerca de 20 a 30 mil itens”, explicou o diretor do IPT.

Ele defendeu ainda que a complexidade do sistema de exploração do pré-sal dispensa qualquer “visão radical” de que é necessário importar todos os insumos do exterior.

“Não temos condições de pensar, numa visão mais radical, de que valeria a pena trazer tudo de fora. O nosso sistema é tão complexo que por si só justifica nosso esforço em desenvolver os estaleiros e a cadeia de suprimentos de uma forma adequada aqui dentro”, afirmou.

Indústria de navipeças

Dois especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Carlos Campos Neto e Fabiano Pompermayer, também participaram do painel sobre a indústria naval durante o L.E.T.S. e comentaram dados do livro “Soerguimento da Indústria Naval do Brasil: 2000/2013”, precedido por um estudo homônimo em 2013 e que deve ser lançado ainda em 2014.

A publicação indica uma expansão do setor de peças do segmento, a indústria de navipeças. Em 2013, por exemplo, a receita total do setor cresceu 6,1%, enquanto a indústria naval apresentou aumento de 19,5% no mesmo período.

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Painel sobre impacto dos investimentos em petróleo na indústria naval durante evento de infraestrutura. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Pompermayer ponderou, no entanto, que políticas voltadas para o setor que incentivam a produção e protegem a indústria podem levar as empresas do setor à acomodação.

“Se não houver uma retirada gradual das políticas industriais de proteção, as empresas não estarão preparadas para competir em meio a uma crise externa”, alertou.

De acordo com informações do governo federal, os investimentos em embarcações pela indústria de construção naval brasileira chegaram a R$ 3,7 bilhões em 2013. O aporte para estaleiros foi de R$ 1,3 bilhão no mesmo período.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets