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Proposta de acordo entre Fiesp e Universidade de Sorbonne visa capacitação profissional

Professor Guillermo Hillcoat apresentou a estrutura da instituição de ensino francesa aos membros do Consic da Fiesp, que discutiram a mão de obra no setor

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic e vice-presidente da Fiesp (esq.) e Guillermo Hillcoat, diretor da Catedral das Américas na Universidade Paris 1 – Panthéon-Sorbonne

A reunião extraordinária do Conselho Superior da Construção (Consic) da Fiesp, realizada na sede da entidade nesta quarta-feira (27), teve a participação especial do professor Guillermo Hillcoat, diretor da Catedral das Américas na Universidade Paris 1 – Panthéon-Sorbonne, de Paris, França.

O convidado falou das propostas sobre acordo de cooperação entre a Fiesp e a universidade de Sorbonne (França), que tem como objetivo promover cursos de capacitação de mão de obra para a cadeia produtiva da indústria da construção. A ideia do convênio surgiu em 2009 em Paris, durante a Batimat, a maior feira do mundo no segmento.

O professor apresentou casos de sucesso na Europa, como projetos de pesquisa do instituto francês de engenharia Arts et Métiers ParisTech (Ensam), que já realizou parcerias com mais de 100 universidades e instituições estrangeiras que permitiram oferecer oportunidades para seus alunos estudarem no exterior.

José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic e vice-presidente da Fiesp, expôs sua preocupação quanto à qualificação de trabalhadores para o setor. Ele alegou que o grande problema foi a estagnação do Brasil durante 30 anos, com a construção civil “no terceiro mundo”, quando nenhum governo enxergou a situação.

“O País precisa mudar, pois não temos portos nem aeroportos suficientes, uma série de deficiências em função de a construção civil ter estado em quarto, quinto plano”, afirmou Oliveira Lima.

Melhor reconhecimento

De acordo com Abílio José Weber, instrutor do Senai-SP, a procura por mão de obra aumentou cinco vezes em relação à década de 1970. Hoje, o problema é a escassez de operários qualificados. “Atualmente, a terceira geração das pessoas que vieram do nordeste para trabalhar quer ser médico, engenheiro”, analisou.

Para Weber, a formação de trabalhadores para a indústria da construção civil é a única saída para suprir esta carência, mas “o profissional não quer ser tratado como ‘peão’, e sim como trabalhador reconhecido”.

Na mesma linha de raciocínio, Luiz Augusto Contier, conselheiro do Consic e dirigente dos cursos de Arquitetura e Engenharia Civil da Universidade São Judas, informou que a demanda por estas vagas no ensino superior aumentou muito.

Em visitas a outros países, ele teve a chance de conhecer o modo de trabalho dos profissionais da construção, muito avançado em relação ao Brasil. “Não existe mais o ‘peão de obra’. Hoje, é um operário altamente qualificado e especializado para as construções de alta tecnologia, e vamos começar também a entrar neste ciclo”, considerou Contier.

Capacitação

Dilson Ferreira, diretor do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, sinalizou que o segmento terá, em um período de doze anos, um crescimento sustentável baseado em questões estruturais da economia.

Mas para que isto aconteça, além do aumento da mão de obra, há a necessidade da melhoria da produtividade. “Não haverá oferta de trabalhadores suficiente se os processos construtivos continuarem sendo iguais aos do passado”, declarou o diretor.

Ferreira sugeriu ainda a criação de uma escola superior da indústria da construção civil filiada ao Senai-SP e à Fiesp. “Não queremos concorrer com outras instituições de ensino, e sim nos juntar para promover a união e cumprir nosso dever de solucionar o problema da capacitação de trabalhadores para o setor”, concluiu.