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A preocupação com o impacto ambiental deve existir desde a concepção do produto

Em palestra, profissionais destacam aspectos que designers devem levar em consideração no desenvolvimento de novos projetos

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em uma biosfera com recursos finitos, os profissionais de design têm o papel de reduzir o impacto ambiental quando desenvolvem projetos de novos produtos para as indústrias. A mensagem é dos designers Guilherme Rodrigues e Ana Lucia Domingues.

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Guilherme Rodrigues destacou a importância da visão ambiental no desenvolvimento de produtos. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Ambos apresentaram palestras na manhã desta terça-feira (03/06) no ciclo de atividades do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP),que faz parte da programação da 16ª Semana de Meio Ambiente.

De acordo com Rodrigues, o profissional de design deve fazer parte do processo de desenvolvimento de um produto desde o início, atuando em cooperação com os diversos setores envolvidos.

“É preciso entender o ciclo de vida de um produto, criando os que tenham o mínimo impacto na esfera ambiental. Trabalhamos com recursos finitos”, sustentou ele. “O profissional de criação deve trabalhar na interseção entre as esferas econômica, social e ambiental.”

Em seguida, ambos apresentaram cases desenvolvidos no Senai São Paulo Design, iniciativa que visa contribuir para o constante aperfeiçoamento dos produtos industriais por meio da aplicação de conceitos avançados e soluções inovadoras em design.

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Ana Lucia Rodrigues. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Um deles é o de uma grelha para fazer churrasco em fogão. Segundo Ana Lúcia, o primeiro passo foi realizar preliminarmente uma pesquisa com consumidores do modelo anterior, o que permitiu um diagnóstico. A partir daí, o projeto criou uma peça com curvatura para possibilitar o escorrimento da gordura da carne, evitando a sujeira causada pelo o modelo anterior. Também melhorou o aspecito visual do produto, com um formato mais atraente para o consumidor, antes envergonhado de levar a grelha para a mesa. Outro ganho foi a economia de aproximadamente 70% na redução de alumínio na fabricação. E, ainda, a economia de tempo e de energia (gás). “O alimento ficou mais saudável porque ele só retira o excesso de gordura”, explicou Ana Lúcia.

Outro case apresentado foi o da customização de unidades móveis hospitalares. A empresa usava MDF como matéria-prima para os assentos dos enfermeiros e prateleiras internas. Pesando cerca de 350 quilos, esse tipo de painel de madeiras era muito pesado, o que aumentava o desgaste do veículo (suspensão e amortecedores, por exemplo) e o consumo de combustível, além de ser suscetível à deterioção no processo de assepsia hospitalar e apresentando maior riscos em caso de incêndio. Com o novo projeto do design, criou-se um assento em polímero ABS , bem mais ergonômico, mais resistente ao processo de limpeza e imune a incêndios. Além disso, o peso do produto foi reduzido para menos de 70 quilos.

Enfoque social

O impacto social também deve ser observado. Durante a palestra, foi mencionado o projeto de um galão de água concebido para comunidades na África que diariamente caminham quilômetros para se abastecer em uma fonte de água potável. Muitas vezes, essas populações precisam voltar com pesadas latas de águas sob a cabeça ou nas costas. O design do produto criou um galão que funciona como uma roda, reduzindo o peso e permitindo o transporte de água sem danos para a saúde.

Os dois designers lembraram que a parte econômica não pode ser desconsiderada e que as condições de uma empresa para poder abraçar um projeto sempre devem ser examinadas.

Além de reduzir o consumo de matéria-prima e de energia despendida, uma das preocupações de um profissional de design deve ser com o descarte dos produtos. “Precisamos ver o equilíbrio entre o que é necessário e o que estamos produzindo e consumindo sem perceber. E o que a gente pode fazer para atenuar esse impacto”, resumiu Ana Lúcia.

“Sempre há espaço para melhorar”, assinalou Rodrigues.

Semana de Meio Ambiente

A 16ª Semana de Meio Ambiente é promovida pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

Aberta na segunda-feira (02/06), a Semana tem prosseguimento até sexta-feira (06/06).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp