Professor Lester Salamon fala sobre investimentos sociais e privatizações

Agência Indusnet Fiesp

Ideias para um mundo melhor não vão prosperar sem recursos, destacou o consultor estratégico e fundador do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Marcos Kisil, ao abrir o seminário “Oportunidade para o investimento social através das privatizações” nesta quinta-feira (28 de setembro) na Fiesp.

Para ele, o acesso aos recursos passa pela sustentação das organizações sociais. “Os fundos patrimoniais, pouco usados no Brasil, podem dar às organizações os recursos de que precisam, sem mexer no principal. Há propostas de legislação em discussão, uma na Câmara e outra no Senado, mas não resolvem os obstáculos no país a seu uso. Não é possível, devido à taxação, fazer como fez por exemplo Bill Gates, que doou em vida metade de sua fortuna para uma fundação”, detalhou.

Lester Salamon, professor da Universidade Johns Hopkins, fez palestra defendendo que se façam projetos sociais com recursos da privatização. Usou como exemplo o que foi feito na Itália e na Nova Zelândia e uma série de outras experiências. “Parte dos recursos de privatizações poderia ir para fundações privadas, para uso pelo bem público”, defendeu.

Segundo Salamon, os ativos são riqueza das pessoas, não do governo, por isso devem ter parte reservada para fazer um bem tangível para a sociedade. O professor destacou ainda que a privatização tem um efeito negativo no curto prazo, mas que podem ser amenizados, já que sua geração de benefícios acontece no longo prazo.

Na visão da vice-presidente do Consocial e diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Grácia Fragalá, a discussão em questão figurou como uma importante oportunidade para a disseminação deste tema, pela primeira vez discutido na casa e considerado inovador. “Mais do que discutir, a Fiesp deve colocar em prática a adoção dessas propostas”, completou.

Lester Salamon (centro), da Universidade Johns Hopkins (Foto: Fiesp)