Produtividade do trabalho na indústria brasileira sobe 0,9%, mas salário ainda é muito superior aos ganhos de produção, calcula Fiesp

Apesar do número positivo, trajetória da indústria quanto à produtividade é ruim, diz diretor de Economia da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira aumentou 0,9% em agosto ante julho, na leitura com ajuste sazonal. No acumulado de 12 meses, a indústria do país registrou ganho de 2,2% enquanto o setor manufatureiro paulista anotou alta de 1,5%, apontou calculo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os números sugerem um cenário melhor do que antes, mas a trajetória da indústria em relação à produção física versus horas pagas é ruim e o custo do salário dentro de cada produto ainda é muito superior em relação aos ganhos de produtividade.

A avaliação foi feita por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

Segundo indicador do Depecon, o aumento da produtividade – o cálculo da produção física por horas pagas – em agosto resultou do crescimento de 0,2% da produção e da queda de 0,7% de horas pagas.

Francini alerta, no entanto, que “o panorama no seu conjunto não é tão agradável. Embora exista melhora, ela é mais dentro da redução de pessoal contratado que no crescimento na produção física”.

Não o suficiente

O índice mostra que, desde junho deste ano, a produção física industrial mostrou um ligeiro crescimento, mas não o suficiente para recuperar as perdas ocorridas nos meses anteriores.

Em janeiro deste ano, a produção física despencou 2,1%, em fevereiro e em março continuou em queda, de 1,9%. Em abril, a Fiesp calcula perdas de 0,9%, seguida por 0,3% em maio.

Francini: "É necessário um plano para a reindustrialização e a revisão da politica tarifária". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Paulo Francini: ainda não foi o suficiente para a recuperação da indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Já no mês de junho, a produção física cresceu 0,5%, passando para 0,9% em julho e agosto, resultando em mais fechamento de postos de trabalho e redução das horas pagas do que no aumento efetivo da produção.  “Aumento da produção sem contratação acaba resultando no aumento da produtividade”.

O Depecon calcula o indicador de produtividade com base nos dados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) e da Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário (PIMES), produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Dos setores da indústria de transformação avaliados pelo Depecon, a produtividade no acumulado em 12 meses caiu em cinco deles e aumentou em 12. Os destaques positivos foram a indústria de madeira (13,1%), de calçados e couro (11,7%), refino de açúcar e álcool (8,7%) e meios de transporte (5,7%).

Entre as perdas em produtividade, os piores resultados ficaram com os segmentos de fumo (-11,9%), alimentos e bebidas (-2,9%) e metalurgia básica (-2%).

Salário maior que a produtividade

Com relação a custos de salário, enquanto a produtividade da indústria brasileira cresceu 2,2% no acumulado de 12 meses, a folha real por trabalhador aumentou 4,8%.  O custo salarial chegou a 5,1% no acumulado de maio de 2012 a maio deste ano, enquanto os ganhos com produtividade foram de 1,4%.

O índice calculou ainda que em 14 dos 17 setores da indústria de transformação, o aumento da folha de pagamento real por trabalhador também superou o crescimento da produtividade no acumulado de 12 meses.

“O aumento da folha de pagamentos real por trabalhador acima do aumento da produtividade, já vem ocorrendo pelo menos de 2003”, indica o estudo.

“A nossa trajetória é ruim quanto à produtividade. O caminho de desenvolvimento se faz perseguindo uma trajetória de crescimento da produtividade”, afirmou o diretor da Fiesp.

Clique aqui e veja o índice Produtividade Física do Trabalho na Indústria de Transformação em Agosto de 2013