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Prefeito de Manaus participa de reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) na Fiesp

Arthur Virgílio Neto criticou aumento dos juros pelo governo e analisou situação da Amazônia

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A série “Repensando o Brasil” da Reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta segunda-feira (15/6), abordou os temas “Amazônia, Polo Industrial de Manaus e crise econômica brasileira”.

O prefeito da cidade de Manaus, Arthur Virgílio Neto, começou sua apresentação fazendo uma declaração política sobre a crise econômica que assola o Brasil. Para ele, a atual crise é a mais grave dos últimos 25 anos, porque se junta a outros problemas. “Considero esta uma das mais graves crises, porque ela se junta a uma crise moral, que se junta a um terceiro fator, que é o da crise política”, afirmou.

Virgílio comentou também a crise social, que, de acordo com ele, é algo que reflete o descontentamento da sociedade. “A sociedade não se importaria tanto em pagar pela recomposição do país, mas ela se revolta bastante porque sabe que a crise é desnecessária, que não é econômica e que não veio de fora”. Ele afirmou que, ao contrário do que o governo diz, a crise não é mundial. “Os Estados Unidos e a Europa têm crescido vigorosamente, e a China avança em tecnologia”, completou.

Alta de juros

O palestrante criticou a atuação do governo no que diz respeito à alta de juros. Ele disse que o Brasil foi se subestimando e se fixando, ao longo dos anos, a uma política ideológica e ultrapassada. “Existe hoje uma dose cavalar de juros, que fico sem entender os motivos, porque não há choque de demanda, existe uma crise de inflação que é causada pelos preços administrados pelo governo”, disse Virgílio.

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Para Arthur Virgílio Neto, a capacidade do Brasil de aguentar carga tributária já está saturada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ele, ajustes são necessários, mas primeiramente era preciso reduzir o número de ministérios, cortar gastos e regalias do governo. “É preciso cortar custeio do governo, porque a população não pode pagar a conta sozinha”, afirmou. “A nossa capacidade de aguentar carga tributária já está saturada, logo o Brasil não conseguirá exportar e nem competir.”

Manaus, metrópole da Amazônia

Virgílio apresentou dados econômicos e sociais do Estado do Amazonas e de Manaus, evidenciando sua importância para o país. Distribuída por 9 Estados, a Amazônia ocupa cerca de 60% do território brasileiro e é responsável por 7,39% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, além de ser a maior bacia hidrográfica do mundo.

No entanto, 38% de sua população vive na linha da pobreza, e calcula-se na Amazônia uma área total desmatada de cerca de 500 mil km², ou seja, 12,5% da floresta original.

Para Arthur Virgílio, Manaus é uma cidade em ascensão, que tem apresentado muitos avanços nos últimos anos, com o crescimento do turismo, melhorias na saúde e no transporte.

Com mais de dois milhões de habitantes, Manaus ocupa a 6ª posição do PIB do Brasil. “Manaus é responsável por 24,5% da riqueza brasileira, junto com São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte”, afirmou Virgílio. O prefeito de Manaus disse ainda que a cidade pode ser considerada uma cidade-estado, já que 79% da economia do estado provém dela.

Após a palestra de Virgílio, Ruy Altenfelder, presidente do Consea, abriu a reunião para perguntas e debates sobre o tema apresentado.