PIB cresce 2,4% em 2018, diz economista do Sicredi no I Seminário da Média Indústria

Pedro Ramos vê manutenção da queda do custo do crédito e aumento do consumo das famílias

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Economista do Sicredi, banco cooperativo conhecido pelo acerto em suas previsões econômica, Pedro Ramos fez nesta quarta-feira (20 de setembro) a apresentação de encerramento do I Seminário da Média Indústria, realizado pela Fiesp e pelo Ciesp. O crescimento do PIB, afirmou, deve ser de 0,8% este ano e de 2,4% em 2018. A taxa de juros segue em processo de queda, podendo chegar a 6,75% em fevereiro de 2018, disse.

Antes não se conseguia usar a queda da taxa de juros como instrumento para auxiliar a economia, mas agora isso deve funcionar, estimulando o consumo. Os pilares – renda, emprego e crédito – para o consumo mostram recuperação, explicou Ramos.

O processo de redução do custo do crédito deve continuar, com impacto cada vez maior no consumo das famílias. Além da queda da taxa básica e da inadimplência, há redução também dos spreads bancários. Ramos disse ainda que o mercado de trabalho reagiu mais rapidamente do que se esperava.

Também se vê melhora nas condições de financiamento das empresas brasileiras para 2018, apesar das dificuldades para as de médio porte. Por vários problemas a média empresa brasileira pode ser considerada uma sobrevivente, disse Ramos.

Moderador da palestra, o diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, disse que considera uma boa mensagem a fala de Ramos, mas lembrou que é impossível prever o futuro. “Para onde nós vamos?” Para quem estava vivendo a aflição de cair, é um alívio o cenário futuro, disse Francini. As empresas aprenderam a produzir com menos pessoas e temem novas contratações, e isso impede uma retomada mais veloz do emprego.

“Sabemos que o Brasil passou por uma desindustrialização precoce”, afirmou. A queda de participação da indústria no PIB é terrível, especialmente devido à renda brasileira. O preço dos produtos da indústria caiu, e isso influiu. E os países asiáticos, especialmente a China, absorveram parte importante da produção industrial do mundo. Além disso, o Brasil teve hiperinflação, grande período de câmbio supervalorizado, juros altos, a questão tributária, com forte taxação da indústria e, mais recentemente, a recessão.

Para encerrar, Francini declarou seu amor pela atividade industrial. “É isso que me faz ter confiança, nos empresários e nos trabalhadores, e ter esperança de um futuro melhor.”

Paulo Francini e Pedro Ramos no I Seminário da Média Indústria da Fiesp e do Ciesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Os fatores do crescimento

O crescimento brasileiro, explicou o economista do Sicredi, vem sendo retomado graças ao cenário internacional, com crescimento das economias desenvolvidas e das emergentes e ao mesmo inflação muito baixa nesses países, como EUA e China. Foram se frustrando ao longo do tempo as expectativas de aumento das taxas de juros.

Aumentam as exportações de produtos básicos e de manufaturados, enquanto há liquidez. A condição é bastante favorável, avaliou.

Outra grande mudança deriva da política econômica brasileira, alterada em 2016. Apesar da dificuldade fiscal, há confiança na melhora. Ramos disse que as reformas aprovadas ou em curso destacam o Brasil entre os emergentes.

O efeito do câmbio foi positivo na queda da inflação. Não ter pressão cambial sobre o cenário econômico permitiu que a inflação ficasse baixa.

O crescimento da economia não é maior devido aos investimentos e gastos governamentais, na avaliação de Ramos. Há dúvidas quanto à capacidade de investimento do governo. E a eleição de 2018 pode mudar a política econômica, e isso é fator limitante da capacidade de investimento na economia brasileira.