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Petrobras não vai negociar plano de desinvestimento de cabeça baixa, diz especialista

Iniciativa da estatal é da ordem de US$ 14 bilhões e deverá ser anunciada ao mercado dentro de um mês

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

“Apesar de a Petrobras estar em crise, ela não vai negociar com a cabeça baixa na hora de vender os ativos do seu plano de desinvestimentos.  Ela tem grande poder de negociação e, na maioria das vezes, negocia com mais poder do que uma empresa privada”, disse Diego Mendes, chefe do setor de petróleo, gás e petroquímicos do Itaú BBA. A afirmação foi feita durante o Worshop Gás Natural e Plano de Desinvestimento da Petrobras, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (17/6), na sede da entidade.

Com o objetivo de elevar o fluxo de caixa, o plano de desinvestimento da estatal, que deverá ser anunciado ao mercado dentro de um mês, é de quase US$ 14 bilhões para os anos de 2015 e 2016 e será voltado para área de exploração e produção. O modelo de venda prevê participações minoritárias, com manutenção da Petrobras no controle acionário dos ativos.

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Diego Mendes, do Itaú BBA, do setor de petróleo, gás e petroquímicos do Itaú BBA. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Mendes afirmou que a iniciativa abre oportunidade para o mercado, mas alertou que “o mais importante é a garantia de suprimento a preço competitivo”. Com relação à participação minoritária, o especialista disse que a Petrobras sempre quis ser um player ativo no mercado. “Desfazer do monopólio não é da natureza da empresa. Ela não vai vender seus bens a qualquer preço”.

Presente no evento, Carlos Eduardo Brescia, diretor de assuntos regulatórios e institucionais Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), afirmou que a empresa tem participado de reuniões para ver como será esse processo de venda de ativos. “Primeiramente é preciso verificar se a estatal tem interesse em privatizar algum ativo. O modelo de venda pretendido não é o ideal, pois a Petrobras continuará no controle”, disse.

O diretor da Gas Energy Assessoria Empresarial, Ricardo Pinto, também participou do encontro e disse que tem recebido contatos solicitando apoio para analisar os ativos e garante que há interesse de grupos estrangeiros.

“É uma oportunidade que o país tem de viabilizar uma grande mudança no mercado de gás que hoje é monopolizado. Agora é o momento é de desverticalizar este segmento”, concluiu.