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Paulo Skaf: empresários terão reuniões periódicas com ministro da Fazenda; objetivo é apresentar propostas

De acordo com presidente da Fiesp e do Ciesp, governo precisa adotar outras medidas para reduzir os custos de produção no Brasil

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aceitou reunir-se periodicamente com empresários para avaliar o cenário econômico do país, revelou nesta quinta-feira (25/04) o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf.

Para falar do momento da economia brasileira, Mantega esteve por algumas horas na Fiesp para um encontro reservado com Skaf, diretores da entidade e cerca de 20 executivos de algumas das maiores empresas do país.

“Foi uma reunião muito proveitosa. Nós combinamos que teremos reuniões periódicas em São Paulo – se possível quinzenalmente”, disse Skaf. “Fiz a proposta, ele aceitou, e nós vamos fazer de forma permanente”, completou em entrevista coletiva o presidente da Fiesp e do Ciesp.

O objetivo, segundo Skaf, é que essas reuniões não se limitem a uma troca de ideias e de reflexões, mas tenham um caráter propositivo a partir da análise de problemas concretos.

“Esta foi a primeira de uma série [de reuniões]. Foi mais ampla, mas de forma bem prática porque quem fez as análises [os empresários] é gente que está no dia a dia, que está na arena  sentindo na pele o que está acontecendo. Ele [Mantega] ouviu com muita atenção, colocou coisas coerentes e, principalmente, deu essa abertura para que a gente continue esse trabalho de forma mais propositiva com propostas mais concretas.”

Na coletiva, Skaf listou medidas positivas adotadas pelo governo – a redução dos juros e das tarifas e energia, as desonerações de folha e os pacotes anunciados para a infraestrutura, entre outros. Mas assinalou que outras medidas devem ser adotadas para reduzir os custos de produção no país.

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Guido Mantega, Paulo Skaf e Benjamin Steinbruch: reunião com empresários para discutir impressões sobre o momento da economia no país. Foto: Junior Ruiz/Fiesp


Skaf relatou ainda outros temas tratados na reunião e comentou alguns dos problemas existentes para recuperar a competitividade do país.

Leia alguns dos principais trechos da entrevista:

Burocracia

“Foi levantada a preocupação com burocracia. As coisas no Brasil, lamentavelmente, têm muita burocracia. Leva-se muito tempo para fazer o que em outros países é muito mais ágil. Isso atrapalha o desenvolvimento do país, atrapalha quem quer trabalhar, atrapalha a geração de riqueza.”

“Tem que parar de ter tanta burocracia. A Resolução 13, que acabou com a Guerra dos Portos – isso foi ótimo. Agora, para implantar, é uma burocracia que fica impossível. Temos que acabar com isso.”

Custo total da mão de obra

“O que falamos [empresários e Mantega] foi o custo total de mão de obra devido a normas do Ministério do Trabalho, regras, burocracia, impostos. Com a desoneração de folha em relação ao INSS, houve uma melhora, mas nem todos os setores foram contemplados. Essas NRs [Normas Regulamentadoras] que são uma burocracia tremenda e não existem em outra parte do mundo as exigências que estão acontecendo aqui. O que foi discutido não foi em cima dos salários. Foi em cima dos encargos, da burocracia, daquilo que inferniza os dois lados: quem recebe, quem paga.”

Logística

“Temos pontos que são importantes: a questão de acelerar os investimentos em infraestrutura, barateando o custo de logística. O governo fez um grande plano de logística. Mas uma coisa é planejar fazer 6.000 quilômetros de ferrovia. Outra são os trens transitando com mercadorias. Nessa questão da infraestrutura estamos atrasados.”

Guerra fiscal

“Passar o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] da origem para o destino, nós defendemos isso, sempre, para acabar com a chamada guerra fiscal. Eu diria que isso é 60% de uma reforma tributária.”

“A intenção foi boa com a resolução do Senado que foi aprovada ontem na comissão. Mas o que acontece: cada um querendo ver o interesse de uma parte do Brasil.  Zona Franca, em vez de ser 4% [de alíquota], fica 12%. Gás, em vez de ser 4%, fica 12%. Isso começa a criar um desequilíbrio e aquilo que era bom, acaba ficando ruim. Mas eu não vou discutir isso porque ainda não está finalizado. Tanto na MP dos Portos quanto na [discussão] que trata da transferência do ICMS para o destino, nós vamos estar muito atentos para tentar fazer com que aquilo que se aprove faça bem ao Brasil.”

“Não é problema só de São Paulo, não. Quando se coloca em Manaus 12% [de alíquota] e em outros estados do Norte, 4% ou 7%, vai prejudicar os outros estados do Norte também, vai prejudicar os outros estados do Nordeste. Porque o estado que está com 12% vai dar incentivo em cima de 12% e vai atrair o investimento todo. Então, não é só uma questão de São Paulo. É uma questão do desequilíbrio em todas as regiões do Brasil. Precisamos pensar em tomar decisões pensando no equilíbrio brasileiro. Não dá para todo mundo cuidar do seu quintal. Precisamos promover leis que beneficiem de forma horizontal e equilibrada todo o povo.”

Crescimento

“Nossa previsão de crescimento para esse ano é de 2,5% a 3%. Nós estamos em abril. Isso é realista. Mas pode acontecer de outra forma.”

Competitividade

“Quando a gente fala de crise na Europa, não depende da gente. Agora, recuperar a competitividade depende do governo brasileiro, depende de todos nós. Espero que a gente recupere, sim. Com medidas que estão sendo tomadas, foram tomadas, e outras todas que podem ser tomadas.”

Custo de produção

“O custo da produção é fundamental [para aumentar a competitividade]. Se tem custo alto, não tem competitividade. Hoje, o problema não é de competitividade das empresas, é de competitividade do Brasil. Tudo que discutimos aqui [com o ministro da Fazenda] é um problema conjuntural: juros, câmbio, infraestrutura, logística, carga tributária, custo de energia, custo do gás. Tudo é conjuntural. Não depende da indústria, do empresário, do trabalhador. Depende de políticas que resolvam essas questões.”

Educação

“Tem que melhorar a qualidade de educação. A exemplo do Sesi-SP e do Senai-SP, a escola pública tem que ter a mesma qualidade. Não pode haver escola em que o aluno não aprenda. Não é que não tenhamos escola. O que precisa melhorar é a gestão da educação, da saúde, dos serviços. Sem educação não vai ter competitividade.”