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Paulo Skaf: aumento do IPTU em São Paulo não é coerente com a capacidade contributiva da população

Em entrevista a rádio de Ribeirão Preto, presidente da Fiesp e do Ciesp afirma que governos precisam primeiramente buscar a eficiência e combater a corrupção antes de pensar em aumentar impostos

Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf: “O governo tem é que não atrapalhar a vida das pessoas. Cada um faz o seu futuro”. Foto Ayrton Vignola Fiesp

“Essa forma cômoda de [governos] sempre buscarem como solução o aumento de impostos é uma coisa muito ruim”, afirmou o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, em entrevista na manhã desta sexta-feira (29/11), por telefone, ao programa “Larga a Brasa, Morandini”, da Rádio 79 AM, de Ribeirão Preto.

“Primeiro tem que se buscar a eficiência, fazer o máximo possível ao menor curto possível. Eliminar a falta de competência e a falta de seriedade”, completou o presidente da Fiesp e do Ciesp.

“Existe muito imposto no Brasil. Nossa carga tributária no Brasil é 36%, 37% do PIB [Produto Interno Bruto]. E sem considerar que a população tem que pagar segurança privada, escola particular, plano de saúde. Metade das despesas que tem que ter porque os serviços públicos não atendem à população.”

Skaf criticou os critérios que levaram a prefeitura de São Paulo a aumentar o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), a partir de uma reavaliação dos imóveis “feita a critérios discutíveis”.

“Um inquilino que nem é um dono do apartamento ou da casa em que ele mora e ele vai ter que pagar o imposto dobrado porque teoricamente, o imóvel que não é dele, está valendo mais?”, questionou. “Não é coerente com a capacidade contributiva. E por isso que entramos com a Ação Direta de Inconstitucionalidade. Existe um princípio constitucional que não se pode ferir a capacidade das pessoas para pagar aquele imposto”, explicou, afirmando na sequência que a renda das pessoas teve crescimento real de menos de 10% entre 2009 a 2013 e o imposto terá aumento médio de 88%.

Skaf falou ainda sobre investimentos do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) na região de Ribeirão Preto, destacou a importância do Ensino Fundamental em tempo integral e também abordou as campanhas vitoriosas pela desoneração da cesta básica e pela extinção da Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF).

Leia outros trechos da entrevista :

Investimentos em Ribeirão Preto

“O que precisamos é dar a ela oportunidades iguais. A indústria de São Paulo está investindo muito em todo o Estado, inclusive em Ribeirão Preto. Temos investimentos previstos. Nesse mês de dezembro deve iniciar uma reforma enorme no nosso Centro de Atividades [do Sesi-SP], um investimento de 30 milhões de reais. Temos um teatro, inaugurado há dois anos. (…)Tivemos que relicitar pela terceira vez essa escola no Planalto Verde. (…) Não é culpa do Sesi-SP. Nós temos que seguir a lei, as normas, e tivemos que refazer a concorrência. As duas outras construtoras tiveram problemas. Teremos que relicitar. Espero que desta vez termine definitivamente. Estamos aguardando da Prefeitura a possibilidade de dois terrenos para fazermos mais duas escolas novas. Nós temos em Riberão Preto em torno de 20 mil matrículas entre ensino básico, fundamental em tempo integral, ensino médio e os cursos profissionalizantes do Senai-SP.”

Esporte

“Quando eu falo em ensino em tempo integral, a criança chega às 8 horas da manhã e sai às cinco da tarde e ela aprende não só na sala de aula, nos laboratórios, mas ela aprende na prática de esporte. O esporte educa também, o esporte dá saúde. Ela aprende na boa alimentação, ela aprende nas atividades culturais. Então, não tenho dúvida a menor dúvida que o esporte tem um papel fundamental na educação e na saúde. E é por essa razão que está no objetivo do ensino em tempo integral a prática esportiva. E para estimular milhões de jovens à prática de esporte é que nós investimos pesadamente no esporte de rendimento. Temos 20 equipes de esporte de rendimento. Nosso time de vôlei masculino foi campeão pela quarta vez e nosso time de vôlei feminino vai fazer a final do campeonato paulista.”

Senai-SP

“Nosso objetivo é formar mão de obra. O que é fundamental? Os alunos aprenderem. Temos nessas escolas fixas cursos de aprendizagem, cursos técnicos, cursos de educação continuada. (…)  Se necessário, [o Senai-SP] forma até no canteiro das obras. (…) Nós formamos em escolas móveis. (…) Não adiantaria ter uma escola do Senai-SP numa cidade pequena que tem uma demanda que termina (…) É muito mais importante atender àquele município pequeno em vários tipos de atividade – tem que formar eletricista, tem que formar mecânico. (…) São verdadeiras escolas que andam pelo Estado todo.. Ficam lá dois meses, três meses. Por isso cobrimos quase 100% do Estado de São Paulo. [As unidades móveis] Oferecem vários tipos de curso. (…) Esse ano, o Senai-SP oferecerá quase 1 milhão de matrículas. Agora, o mais importante é que 90% dos alunos que saem dos cursos do Senai-SP saem empregados. Isso é o objetivo final. Nossa preocupação é ir até o final da história. E final da história é a oportunidade de emprego, do bom emprego, da oportunidade, e que foi conquistada  através de conhecimento.”

Papel do governo

“O futuro das pessoas depende das pessoas. Governo nenhum venha me convencer que venha fazer favor e que o futuro das pessoas está na mão de governo. O governo tem é que não atrapalhar a vida das pessoas. Cada um faz o seu futuro. O que nós temos é que dar é condições: educação, cursos profissionalizante, saúde, nós temos que dar infraestrutura, nós temos que dar transporte público que respeite as pessoas, tem que dar segurança. Isso é que as pessoas precisam.  E cada um é que constrói o seu futuro.”